Onde?

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Onde tinhas a cabeça?
(...)
No coração.
 
 
Tão bonito.
Uma jovem de 17 anos.

O Romance Gótico (Virginia Woolf)

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Centrando-se no trabalho de Edith Birkhead, pioneira na arte do romance gótico, Virginia Woolf, no seu modo acutilante que já não nos estranha, mostra alguns dos seus  pontos de vista sobre as particularidades do género literário em questão.
 
A autora promove uma reflexão sobre o romance gótico e, sobretudo, o ponto alto que lhe permite ser apreciado. Na opinião de Virginia, nada há de novo ou interessante desde os seus primórdios, em 1764 com a conhecida obra «Castle of Ortranto» de Horace Walpole, considerado o primeiro romance gótico alguma vez escrito.
 
De forma sucinta, para Virginia Woolf, descrever um cadáver, uma assombração talvez, o vampiro ou outros, não escapa a uma espécie de neblina forçada, de quem sabe e não quer ver ou de quem quer ver, mesmo sabendo. Há uma ideia generalizada, neste ensaio, de uma presunção à partida, bem como a dificuldade e mestria necessárias, na escrita de um romance gótico. Quase morto às nascença.
 
Produzir o efeito de terror no leitor parece-lhe quase infundado, baseando-se numa crença que lhe justifica o que diz:
 
"São os nossos fantasmas interiores que nos fazem estremecer, e não os cadáveres de barões em decomposição ou as actividades subterrâneas de vampiros."
 
Serão os nossos fantasmas interiores os responsáveis pela tendência de procurar emoções fortes sem o perigo iminente, num pressuposto cobarde de não conseguirmos olhar para dentro?
 
Um ensaio de uma mulher que, como sempre, nos transcende, nos obriga a refletir para lá do óbvio, do aparentemente normal. Como só Virginia nos faz crer, na vida há sempre essa ponta solta a relembrar os fantasmas que nos assistem, e que nos ultrapassam, face às tentativas diárias de lhes escapar.
 
 
Um livro essencial.
Boas leituras,

Filhos e Amantes (DH Lawrence)

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Considerado uma das obras-primas da literatura do século XX, «Filhos e Amantes» de DH Lawrence foi, inicialmente, recebido numa onda de polémica. Algumas passagens, inclusivamente, foram cortadas pelo editor. Na altura, o autor acabou por aceitar, referindo: "(...) quero lá saber se [o editor] vai cortar uma centena de páginas duvidosas de «Filhos e Amantes». O livro tem de se vender, preciso do dinheiro para viver."
 
Tudo começa com a união de um casal.
Quando Mr Morel decide casar-se, fá-lo com paixão. E a mulher também. Uma história simples de amor que pareceu surgir do nada mas que na mesma proporção, parece extinguir-se na força dos dias. Pesados. Rotineiros. Disformes e desorganizados, em que o nascimento do primeiro filho ditará, para sempre, a separação iminente com laivos de uma raiva nunca exteriorizada.
 
«Filhos e Amantes» é a história de um amor materno doentio. Uma mãe que deixou de viver para si para se entregar, sem arnês, ao amor recebido e quase reclamado, dos seus filhos. É Paul quem melhor a conhece, a estima e preserva. Dos quatro filhos nascidos, será a simbiose desta mãe e do filho mais novo, a força constante de uma história por vezes delicada, por vezes angustiante.
 
Que a família nos pesa na alma, não é novo. Que a família nos incendeia os prenúncios daquilo que viremos a ser um dia, também não é novo. Mas mesmo as coisas que não nos são novas, não deixam de nos fazer refletir.
 
A forma como DH Lawrence expõe os demónios de um jovem que anseia voar por si interdito pela sombra de uma mãe que nada parece pedir, angustia e reclama reflexões cuidadas sobre o papel da família, dos elos aparentemente inocentes.
 
Um cliché, talvez. Porém, uma necessidade reconhecida.
Paul viu-se impedido de amar Miriam, jovem doce e inocente, ainda assim com garras capazes de o transformar naquilo que jamais ambicionara. Viu-se igualmente impedido de uma entrega verdadeira a Clara, mulher com o coração desarrumado, ainda assim, capaz de o amar.
 
Viu-se impedido de si mesmo.
De início ao fim, Paul é a personificação do medo de ir, para ficar, sem ficar. A amálgama de complexos imprimidos ao longo do tempo para nos mostrar, quase sem dó nem piedade, a fragilidade com que somos feitos. Uns bebés grandes a desejar, ainda assim, o quente de um colo expirado há muito.
 
Angústia maior, em prol de um amor que oprime, dificilmente se encontra.
 
 
Gostei muito. E recomendo.
Boas leituras,
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