Orlando e o Rinoceronte (Alexandra Lucas Coelho)

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Alexandra Lucas Coelho, jornalista e conceituada escritora portuguesa, estreia-se agora numa coleção infantil, «As Aventuras de Orlando».
No primeiro volume, «Orlando e o Rinoceronte», crianças, jovens, adultos e séniores terão a oportunidade de revisitarem trechos da História do nosso Portugal. Tudo isto através de uma escrita solta, aventureira e sonhadora, de quem sabe ser criança em qualquer idade.
 
Orlando é um menino de oito anos que, do amor dos pais, herdou cabelo ruivo e carapinha. Essa junção nem sempre o anima, muito menos o amor de Sofia, a garantir-lhe que um dia se casará com ele.
 
Depois do divórcio dos pais, Orlando habituara-se a dividir o seu tempo em duas casas. Foi na casa da mãe que, um dia, enquanto o seu pai viajava, recebeu uma estranha carta daquele com um desenho de um estranho rinoceronte.
 
Através dessa enigmática carta, Orlando partirá numa aventura ao desconhecido, uma viagem no tempo, acompanhada pelo seu peculiar tio Tristão, a viver no Brasil.
 
O desenho do rinoceronte que tanto deslumbrou Orlando, é o cenário criado para a autora nos fazer regressar ao passado colonial do nosso país, embrenhando-se na história de D. Manuel I e o seu rinoceronte-indiano.
 
Rinoceronte de  Durer
Xilogravura inspirada no Rinoceronte-indiano chegado a Lisboa em 1515
 
Numa entrevista à SAPOMAG, sobre os intentos desta coleção, a autora refere a criação de uma série de livros que permitam lidar : "(...) "com a vida, com a família, com o passado, com questões de género, tanta coisa que pode ainda ser contada para crianças".
 
Através do fascínio que só as crianças sabem impor, Alexandra Lucas Coelho desafia-nos a revisitar o passado do país, apontando o seu lugar vitalício na memória de todos nós.
 
Gostei imenso e só posso recomendar.
O segundo livro da coleção está previsto para a primavera de 2018.
 
 
 
Com o apoio:
 
 

Boas leituras e sejam felizes,

Onde a vida se perde (Paulo Ferreira)

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

«Onde a Vida se Perde» é o primeiro romance escrito por Paulo Ferreira.
A história vem contar-nos a vida de um homem, Pedro, a quem lhe ditaram apenas 6 meses de vida, na sequência de um tumor cerebral.
Aquilo que poderíamos considerar o início de uma história muito padronizada, acaba por nos dar a volta quando percebemos que Pedro, ao invés de correr e fazer tudo o que aquele prazo limitado lhe permitiria, decide antes reunir aquelas que sempre considerou como as quatro mulheres da sua vida: Mia, Carmen, Rita e Alice.
 
 
"Rita era a mulher instável e fútil; Carmen, a loucura e o regozijo do amor (substantivo que a magoava, mal de gramática); Alice, o sinal de que Pedro poderia tornar-se monogâmico (...).
Nesse tempo, Mia vivia numa espécie de limbo."
 
 
Cada uma destas mulheres tem uma história. A sua história individual e a história que se mistura, irrevogavelmente, com um homem estranho, sonhador, inseguro e atado às linhas menos previsíveis. É que Pedro parece ter amado todas elas, ao mesmo tempo, não amando nenhuma. Amando-se a si mesmo e a uma lamúria pertinente de que nada chega. De que nada lhe chega. De que tudo é demasiadamente passageiro, na vida, para se assentar na vida de alguém. Imiscuir-se. Envolver-se como as claras de um bolo, compactas e previstas na forma, sólida, de um bolo.
 
Ao longo do livro o leitor viverá aquela espécie de compaixão misturada com repúdio. É um homem com seis meses de vida, numa sala, com as quatro mulheres devotas aos amores mais tenros e maduros da sua vida. Se, por um lado, lhe deseja o melhor, por outro, fica o travo da incompreensão só capaz aos mais afoitos. Talvez. Até ao momento.
 
Chegará o momento, então, em que todas as inseguranças de um professor universitário, virado para o seu mundo de literatura, se dissolvem na certeza de um desejo comum, um lugar comum a todos nós: as ânsias de ser amado.
 
Percorremos, assim, a jornada de vida de um homem condenado pelo tempo, pelo corpo, pela vida. As decisões finais que encerram vontades de um princípio, atribulado, mas com um destino: encontrar em cada mulher que amou, o amor necessário para se saber ido, mas chegado de pedra e cal a um futuro sólido.
 
Há quem diga, e bem, que na memória jamais morremos.
Para Pedro será, sem dúvida, o seu último desejo.
 
 
Boas leituras.

Quem quer um livro?

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Em parceria com a Alfaguara, estamos a oferecer um exemplar de «As Nossas Almas na Noite» de Kent Haruf.
Todas as condições estão no post, logo ali ao lado, no Facebook do Blogue.
 
Boa sorte!
 

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