Boneca de Luxo (Truman Capote)

domingo, 18 de fevereiro de 2018


«Boneca de Luxo», um dos livros (novelas) mais conhecidos de Truman Capote, adaptado ao cinema no ano de 1961, com a célebre Audrey Hepburn, foi uma das minhas mais recentes leituras.
Esta é a história de Holly, mulher envolta em mistério e encantamento.
Tudo começa com um narrador presente, a contar-nos as constantes interrupções desta mulher para que lhe abram a porta do prédio. Esquece sempre a chave e, após incomodar, continua a lidar com os vizinhos como se nada fosse, porém, sempre com doses de ternura e simpatia acrescidas.
Através das deambulações do nosso narrador, um escritor fracassado, vamos conhecendo as particularidades de uma mulher que insiste em esconder-se bem, semeando paixões e amores deslocados por onde passa.
Também não serei eu a contar-lhe os segredos de Holly.
Leia a sua história em primeira mão, conheça os segredos de uma mulher especial, que vende suspiros e compra paixões; uma acompanhante de luxo que guarda em si uma espécie de criança grande, com sonhos díspares de uma realidade em nada cor-de-rosa.
 
 
Boas leituras,

Ler(-te)

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018


Não pica. Não dói.
 
 
Seja feliz,

Pão com Fiambre (Charles Bukowski)

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

 «Pão com Fiambre», de Charles Bukowski, é um livro parcialmente autobiográfico, considerado um dos melhores do autor, ou mesmo o melhor de todos.
 
O livro conta-nos a história de Henry Chinaski (famoso alter ego de Bukowski), as suas amarguras enquanto criança, jovem e homem inadaptado. Viveremos a sua incapacidade de se integrar no ciclo de amigos na escola primária, à entrada de uma adolescência rica em borbulhas e isolamento consequente, a um pai que castiga de cinto na mão, dia sim, dia, e uma mãe incapaz, submissa e lacrimosa.
 
O cenário está criado e vem mostrar-nos a solidão, amargura e impotência de uma criança que cresce na sombra de discussões, do desemprego, das carências ditadas pela Grande Depressão.
Também numa depressão profunda encontramos este menino que, aos poucos, cresce para fora, somando-se as questões tão legítimas como ser feliz, amado e integrado. Contudo, parece que nada destas simples ambições ao mais comum mortal, lhe pertencem.
 
"Levantei-me e saí. Dirigi-me para casa. Então, é isso que eles querem: mentiras. Mentiras bonitas. É disso que precisam. As pessoas eram ridículas (...)."
 
Cada tentativa lhe sai rogada até ao momento em que o cansaço e a indiferença começam a imperar: ele é o jovem com um característico sorriso de desdém, desdém esse que ultrapassa o esforço de quem já não quer saber. A intolerância a si mesmo, e aos outros, imprimem-lhe a necessidade quente de um refúgio: surge assim o amor inexplicável, e gigantesco, pelo mundo dos livros e da escrita.
 
Será também a escrita a ditar-lhe um rumo diferente, inesperado, empurrando-o para uma vida ainda embrionária, sem livro de instruções que lhe valesse. O mundo espera por Henry, mas ele não espera ninguém.
 
Através de uma vida em constante abandono, Bukowski mostra-nos, implacável como sempre, o abismo de uma vida sem amarras, com um jovem que se procura a si mesmo entre o desespero de uma família em ruínas e o poço da Grande Depressão.
 
Magnífico.




Uma leitura com o apoio:



Sejam felizes,
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