E o vencedor é...

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Só porque sim, não vou fazer balanços sobre os livros que li em 2013.
Vou antes nomear o vencedor dos vencedores nas leituras deste ano, a horas de terminar.
Porque os livros merecem aquele reconhecimento, porque devem ser respeitados, amados e perpetuados no tempo e na alma de quem lê, vou assim privilegiar um e apenas um, agora.
Com todo o meu encanto, meus caros, anuncio o livro vencedor das minhas leituras em 2013:
 
"Servidão Humana"
W. Somerset Maugham
 
 
 
Um livro brilhante.
 
 
E como este livro, assim desejo que seja 2014: brilhante em leituras e histórias.
Façam boas histórias, na mistura feliz dos dias e dos sonhos.
 
Boas leituras!
 
Ao som de: The Smashing Pumpkins | Tonight, Tonight
 

Onde os Últimos Pássaros Cantaram (Kate Wilhelm)

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Ao ler este livro foi impossível não recordar o «Admirável Mundo Novo» de Aldous Huxley.
O mundo parece estar a perder as estribeiras daquilo que é tido por "normal" e os problemas associados ao clima, às pragas que parecem ameaçar tudo, fazem imergir uma nova concepção de vida.
O grupo é agora toda a razão de existir da comunidade. Viver por todos, em que a individualidade de cada um assume um perigo inquestionável.
É sobretudo a questão entre «grupo» e «indivíduo» que a autora faz a sua grande ênfase, ao longo de todo o livro.
Até que ponto pode uma comunidade viver em grupo, com seres semelhantes física e psicologicamente? Destinados a tarefas idênticas, cada um de acordo com as aptidões pré-concebidas?
E o lado único? A criatividade do ser único, genial, como Mark fez entender no seu discurso quase apagado, silencioso, mas sem desistência.
Lutar pela individualidade. Quebrar as ideias de um mundo que se diz moderno, com as pessoas integradas em padrões de acordo com as suas capacidades para intervir no mundo, é a base que acompanha toda a leitura deste livro.
Diria que Kate Wilhelm o fez de uma forma interessante, enfatizando essa urgência de sermos um num grupo, mas jamais um grupo uno em que o «um» se dilui sem contestações, na ideia de um mundo melhor.
Um pensamento que eleva a comunidade a um lugar de destaque, carregando em si a tarefa de produzir sem limites, e sem espaço ao brotar das emoções de cada um.
 
Um livro interessante.
 
Boas leituras.
 
 

O Pescador de Girassóis (António Santos)

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

 

 
Um livro sobre escolhas e mudanças. A vontade de mudar. A vontade. Talvez só a vontade a ganhar pó nos ombros cansados e na mente que já não trabalha, sob a pressão dos dias feitos de rotina, do relógio certeiro. Como um tiro.
Este é um livro sobre a possibilidade das segundas vias. Da estrada secundária. Aquela que vai de encontro aos sonhos roubados, aos girassóis que brilham que nem doidos, ao sol.
Pois é. Não peçam contratos sem termo, ou o que seja. Ninguém garante a segurança dessa escolha, e a fatalidade pode estar atrás de qualquer porta. Ou - ironia religiosa - de uma igreja.
São dias. São vontades. São medos. Ingredientes fortes de um livro que enfatiza essa fraqueza humana de mudar o rumo quando já nada faz sentido.
 
Boas leituras.
 
 
Ao som de: Spin Doctors | Two Princes
 
Said if you want to call me baby
Just go ahead now
And if you like to tell me maybe
Just go ahead now
And if you wanna to buy me flowers
Just go ahead now
And if you like to talk for hours
Just go ahead now


A Rapariga Que Roubava Livros (Markus Zusak)

terça-feira, 10 de dezembro de 2013




Este é um livro feito de amor. Palavras de amor, que a sacudidora de palavras encontrou e desbravou. Dentro de uma palavra tão densa, intensa, e profunda como o amor deve ser, muitas outras começaram a crescer, num solo fértil de criança. Esperança. Saudade. Sonho. Crença. Nostalgia. Medo. Resistência. Confiança. Cor. Amizade.
Nesse amor às palavras que se soltam e se juntam, acompanhamos a jornada de uma menina de coração cheio num momento em que nas cores dos dias, predomina um cinzento fiel de quem lá longe fere e mata.
"Eles". Prejudicam e mudam tudo, sem que saiba bem o porquê das coisas. Tantas as palavras mas impossíveis de explicar essas fogueiras de livros apetecidos e tantas outras coisas. "Eles, quem são eles afinal?". Não sabe, pensa ela. Mas sabe o peso que "eles" depositam nos seus dias, na sua casa, nos semblantes dos seus pais e o segredo que poderá pôr tudo em causa. Um judeu escondido na cave.
Este é um livro feito de livros. Amor pelos livros. Acompanhando a pequena Liesel em cada um dos seus percursos, bons e maus. Livros roubados. Livros que flutuam. Beijos que se pedem. E se aguardam num silêncio ansioso.
A morte anuncia o fim do mundo. Avisos que vão surgindo, aqui e ali. Pequenos avisos. Pequenas bombas. Aqui e ali.
Liesel lê. Num abrigo. O livro roubado e as palavras que se soltam, são sacudidas pelo ar e tranquilizam na medida do tempo, e de quem mais nada espera.
Este é um livro feito de dor. E só o amor a entende. Assim como a ignorância entende a esperança. Que de nada saber, vai esperando por um dia diferente. Por muito que tivesse esperado, a dor do que foi jamais passaria. Pelo menos naquele momento.
Ficam os livros. Agora rejeitados pelo prazer proibido que emanam em si mesmos. Mas fica a escrita. Nasce um novo livro. Feito da dor de uma pequena que viu esse cinzento de uma morte eficaz e fiel. Feito da dor de quem criou raízes numa rua com nome de céu, agora tornado inferno desarrumado. Feito da dor do arrependimento de um beijo que fora pedido. E ignorado.
Nasce um novo livro. Um futuro.
A velha história, essa, ficará para sempre.
 
 
 
Gostei muito deste livro. O tipo de narrativa. O contexto. A escrita. E a magia em torno dos livros.
O poder quase transcendente dos livros, e da escrita, no percurso da rapariga que roubava livros é verdadeiramente encantador. 
 
 
Recomendo. Kel, tinhas toda a razão!
 
 
Ao som de:  The Smashing Pumpkins | "Disarm"

30 Day Book Challenge - Day 30

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013


Depois de uns dias de ausência, hoje apresento o último desafio...
 
Day 30 - Your favorite book of all time
 
Sem precisar de muito tempo para pensar, o preferido dos preferidos é «As Vinhas da Ira» do meu escritor de eleição Jonh Steinbeck.
 
 
 
 
Assim termina esta série de desafios!
 
Boas leituras

30 Day Book Challenge - Day 29

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

 
E hoje o desafio é...
 
Day 29 - A book everyone hated but you liked
 
Que me lembre agora... talvez «Aparição» de Vergílio Ferreira. Lembro-me naquela altura de adorar o livro e todos detestarem.


30 Day Book Challenge - Day 28

segunda-feira, 25 de novembro de 2013


E hoje o desafio é...

Day 28 - Favorite title of a book

Gosto de muitos. Mas de momento o livro que se destaca é «Viagens no Scriptorium» de Paul Auster.
 


30 Day Book Challenge - Day 27

domingo, 24 de novembro de 2013


E hoje o desafio é...
 
Day 27 - The most surprising plot twist or ending
 
Penso que «Correr com Tesouras» de Augusten Burroughs teve um final surpreendente tendo em conta toda a trajectória do autor...

30 Day Book Challenge - Day 26

sábado, 23 de novembro de 2013

 
E hoje o desafio é...
 
Day 26 - A book that changed your opinion about something
 
Esta questão é curiosa. Não me recordo de um livro que tenha de facto mudado a minha opinião sobre alguma coisa/tema em específico. No entanto, há um livro maravilhoso, obrigatório a todos em matéria de coração. Obrigatório porque agita a mente e ritmo cardíaco, dando valor ao que realmente interessa, esquecendo a pressa do relógio ou a tendência de valorizar o que menos valor tem.
Falo de «O Principezinho» de Antoine de Saint-Exupéry.
Incontornável e para ler, no mínimo, uma vez por ano.


30 Day Book Challenge - Day 25

sexta-feira, 22 de novembro de 2013


E hoje o desafio é...

Day 25 - A character who you can relate to the most

Como não faço a mínima ideia, vou deixar este desafio em aberto... quem sabe um dia venha a descobrir a resposta.

Rapariga negra, rapariga branca (Joyce Carol Oates)

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

 
Já há muito que queria embrenhar-me na obra de Joyce Carol Oates, e assim foi. Felizmente, as minhas expectativas foram em muito superadas. As críticas em torno desta escritora, e tudo o que li da sua biografia, suscitaram-me uma enorme curiosidade sobre a sua obra. Adivinha-se esplêndida, cheia de surpresas, numa escrita difícil de definir pela sua eficácia, pela sua capacidade de ficar na mente do leitor depois do livro fechado. Uma boa surpresa.
Joyce Carol Oates nasceu em 1938 em Nova Iorque, é Professora na Universidade de Princeton e membro, desde 1978, da Academia Americana de Artes e Letras. Já ganhou vários prémios literários, entre eles, o National Book Award e foi nomeada para o prémio Pulitzer de Ficção (com o conhecido «Blonde», biografia de Marylin Monroe).
No livro que hoje vos trago, Joyce Carol Oates lança sobretudo um pano de fundo onde a política assume um destaque maioritário, em paralelo com uma amizade improvável de duas jovens universitárias.
Escrito nos anos do pós-guerra do Vietname, Oates revela os valores de uma América de coração ferido, valores questionáveis, orgulho ferido, tudo isso transposto nessa amizade de uma rapariga branca que, quinze anos após a morte misteriosa da sua amiga negra, no campus universitário, decide investigar a fundo a origem do seu desaparecimento.
Verdadeiramente tocante, profundo e com as raízes políticas a emanarem a cada folha lida, estamos perante um livro que não nos deixa indiferentes. Nem durante, nem depois da sua leitura.
 
Muito bom!
 
 
Boas leituras!

 

30 Day Book Challenge - Day 24

 
E hoje o desafio é ...
 
Day 24 - A book that you wish more people would've read
 
«Servidão Humana» de W. Somerset Maugham, sem qualquer dúvida. Um dos melhores livros que já li. Obrigatório!

30 Day Book Challenge - Day 23

quarta-feira, 20 de novembro de 2013


E hoje o desafio é...
 
Day 23 - A book you wanted to read for a long time but still haven't
 
Existem vários livros nessa condição, na minha estante. Depois de fechar os olhos e apontar, a escolha recai em: «O Vermelho e o Preto» de Stendhal.


 

30 Day Book Challenge - Day 22

segunda-feira, 18 de novembro de 2013


E hoje o desafio é...
 
Day 22 - A book that makes you cry
 
Chorar, chorar... não diria tanto. Por ser um livro com uma carga emocional forte, uma história verídica e muito intensa, eis o que me melhor se enquadra neste desafio: «As Cinzas de Angela» de Frank McCourt.
Muito bom!
 
 

30 Day Book Challenge - Day 21

domingo, 17 de novembro de 2013


E hoje o desafio é ...
 
Day 21 - The first novel you remember reading
 
Não foi o primeiro. Teria de assinalar aqui as colecções da «Anita», do «Triângulo Jota», a fantástica «Uma Aventura». Há também «Tiago e o Feijoeiro Mágico», um dos livros mais especiais da minha infância.
Contudo, lembro-me muito bem com os meus 12 anos, com a indicação do Professor de Língua Portuguesa, de começar a ler «A Tulipa Negra» de Alexandre Dumas. Foi um fascínio!
Há uns dois anos, por aí, encontrei novamente esse livro num alfarrabista e ali está ele, à espera de uma releitura.
 
 

30 Day Book Challenge - Day 20

sábado, 16 de novembro de 2013

 
E hoje o desafio é...
 
Day 20 - Favorite romance book
 
Este é um desafio grande, confesso. Porque são muitos, são tantos livros!
Ao pensar nesta questão há um livro que se destaca, vai surgindo sempre no pensamento, a implorar que eu o escolha: «Grandes Esperanças» de Charles Dickens.
Um grande livro!

30 Day Book Challenge - Day 19

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

 
E hoje o desafio é...
 
Day 19 - Favorite book turned into a movie
 
Uma das melhores adaptações ao cinema, na minha opinião, é a do livro «Perfume» de Patrick Suskind. Muito bom!
 
 

 

30 Day Book Challenge - Day 18

quarta-feira, 13 de novembro de 2013


E hoje o desafio é...
 
Day 18 - A book that disappointed you
 
Pelo facto de ter expectativas muito altas (com este autor, acontece sempre...), este livro em especial acabou por me desiludir (mas só um bocadinho...). Falo de «Ensaio sobre a Lucidez» de José Saramago.
 
 
 

30 Day Book Challenge - Day 17

terça-feira, 12 de novembro de 2013

 
E hoje o desafio é...
 
Day 17 - Favorite quote from your favorite book
 
Apesar de não considerar o meu livro preferido, é um dos melhores que já li e contém em si a melhor citação de todo o sempre:
 
"Um homem não é independente a menos que tenha a coragem de estar sozinho."
Halldór Laxness, Gente Independente
 
 


A Desumanização (Valter Hugo Mãe)

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Este livro é feito de poesia. Um saco com poesia lá dentro. De início ao fim, abre-se o saco e assim, como por magia, as palavras soltam-se sem dó nem piedade num emaranhado sofrido, para evocar uma dor sem retorno, como só as palavras sabem fazer. Como os poemas. As palavras que trazem coladas as sombras daquilo que o coração sente. É assim este novo livro de Valter Hugo Mãe.
"A morte, ainda que possivelmente inteligente, não teria força contra sentir-se a falta de alguém."
Pois não. E Halla entra assim numa espiral de palavras soltas após a morte da sua irmã gémea. Num poema sem fim, com a esperança de um fim à vista. Entrando numa descrença de si mesma, alma e corpo, corpo e alma. Fazendo as coisas mais inesperadas, tentando encontrar-se consigo mesma, com a irmã do outro lado do espelho, ou nos confins de uma terra sem semente, que não floresce. Um vazio. Sem nada dentro. Um vazio cinzento como as almas. Ou como as ovelhas.
E como a Islândia, fora de um mapa que Deus não reconhece, assim vamos acompanhando o coração de Halla que aprendeu, quase sem querer, as palavras e o som do amor, num misto de dor e crueldade. Um livro com poesia que corta ao mais ínfimo pormenor.
Ao pormenor de quem perde, e sabe que não retornará.
Ao pormenor de um novo caminho, que desintegra partes que nasceram para ser uma só.
Ao pormenor da dor e do pensamento que a vai carregando, mais e mais, num coração cansado.
"Arrancarei o coração e, depois de seco, servirá de trapo para limpar coisas estúpidas.
Coisas vulgares.
Não servirá para mais nada."
(...)
"Terei pena dele. Estará como um animal antigo que perdeu a qualidade dos novos dias. Sem visitas. Será apenas a humilhação entristecedora de todos os afetos."
"O meu coração sem visitas perderá a memória e, quando nos separarmos de vez, certamente será mais feliz."
 
Como o próprio autor o refere, "um livro de ver". Um livro muito intenso, em que a tristeza assume lugar de ordem, sem que a resistência ao coração cansado não se deixe igualmente pronunciar das formas mais inesperadas.
 
Recomendo, e fazendo-me lembrar vivamente a obra de Laxness «Gente Independente», criou em mim uma paixão imediata por este livro.
 
Ao som de: Bon Iver "I can't make you love me"
 


30 Day Book Challenge - Day 16


E hoje o desafio é...
 
Day 16 - Favorite female character
 
Uma das personagens que considero mais marcante dos livros que tenho lido, e em que destaco as fortes convicções, é a «Jane Eyre». Um grande livro. Uma grande personagem.
 
 
 

Citação

domingo, 10 de novembro de 2013


 
 
 

 
"O amor não é um sentimento honesto."
(Sidonie Colette)





 

30 Day Book Challenge - Day 15


E hoje o desafio é...
 
Day 15 - Favorite male character
 
De um livro muito estimado por mim, com uma das personagens que mais me marcou: George do livro «Ratos e Homens» de John Steinbeck.
 
 

30 Day Book Challenge - Day 14

quinta-feira, 7 de novembro de 2013


E hoje o desafio é...
 
Day 14 - Book turned movie and completely desecrated
 
Recentemente «Incendiário» de Chris Cleave foi o livro em que senti que o filme lhe roubou quase toda a essência. Não posso dizer que o filme não tenha sido bom, no entanto, o sentido do livro - que deveria constar no filme - evaporou-se...
 
 

30 Day Book Challenge - Day 13

quarta-feira, 6 de novembro de 2013


E hoje o desafio é...

Day 13 - Your favorite writer

Palavras para quê? John Steinbeck!

Comboio para Budapeste (Dacia Maraini)

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Um livro muito bom. Hoje venho falar de um livro muito bom. Inicialmente a leitura não parecia fluir, tentar entender o porquê deste tipo de situação nem sempre é fácil ou sustém em si inúmeras e possíveis causas. Desde a nossa própria disposição, desconcentração, um dia mau, o que seja, no entanto, neste caso, essa dificuldade prendeu-se ao tema central, o Holocausto, a essa tragédia monumental que pelos piores motivos não carece apresentações pormenorizadas. Dispensa-as.
Todo o cenário do livro, explicando as viagens de Amara, no comboio, que mói e arrasta os pensamentos, são quase cinematográficas, tornando o livro num quase filme feito em casa.
Envolvendo a tarefa primária de Amara em redigir artigos para o seu jornal, leva consigo um conjunto de cartas, de um tempo já avançado, do seu amigo e amado Emanuele.
Há assim, num livro que retrata esse tempo amargo, uma história de infância perdida, uma história de amor, uma ilusão que pretende agarrar e iludi-la a si mesma.
Numa jornada sem tempo de olhar para trás, o leitor acompanha Amara nessa procura em que, pelo caminho, pode ir perdendo de tudo um pouco, mas a esperança de uma resposta, essa, mantém-se firme ao longo de toda a viagem.
 
Recomendo.
 
Boas leituras.
 
Ao som de: Lucia "Silence"

30 Day Book Challenge - Day 12

 
E hoje o desafio é...
 
Day 12 - A book you love but hate at the same time
 
Há um livro, que me lembro agora, que acabou por ter esse efeito em mim, sim... Falo de «A Dança das Borboletas» de Poppy Adams. Gostei particularmente deste livro, mas não gostei do facto da autora não ter sido mais feliz no seu final!
Gostei do tema, de certas passagens em específico mas depois, bem, depois houve aquele agridoce de que nem tudo foi perfeito ...
 
 

30 Day Book Challenge - Day 11

segunda-feira, 4 de novembro de 2013


E hoje o desafio é...
 
Day 11 - A book you hated
 
Ultimamente o livro que menos gostei de ler foi «A Nona Vida de Louis Drax» de Liz Jensen. Um livro mirabolante demais. Penso que o conteúdo da história tinha tudo para resultar num livro interessante mas, na minha opinião, não foi isso que aconteceu...


30 Day Book Challenge - Day 10

sábado, 2 de novembro de 2013


E hoje o desafio é ...

Day 10 - A book that reminds you of home

Um livro muito especial. Um livro oferecido pelo meu irmão, já há muitos anos que me recorda sempre a época do Natal, e aquele ambiente quente e confortável, o bom sentimento de estar em casa...
Falo de «O Enigma e o Espelho» de Jostein Gaarder.
 
 

30 Day Book Challenge - Day 9

sexta-feira, 1 de novembro de 2013


E hoje o desafio é...

Day 9 - A book you though you wouldn't like but ended up loving

Há um exemplo claro dessa situação: «A Vida Nova» de Orhan Pamuk. Comecei, inclusive, a lê-lo uma vez e desisti. Mais tarde, recomecei e percebi que estava perante um grande, grande livro...
 
 

A Acidental (Ali Smith)

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

 
Na contracapa deste livro é possível ler-se o seguinte: "De certeza que nunca conheceu personagens como estas e nunca encontrou uma história semelhante e, sem dúvida, nunca ouviu uma voz como a de Ali Smith."
Dei comigo a pensar: "Presunçosa a pessoa a dizer-me isto. Sabe lá se ouvi uma voz bem melhor, ou pior, ou o que fosse?" Sei é que é parti de uma forma quase suspeita para a minha primeira leitura da obra de Ali Smith, com expectativas altas, altamente justificadas pelo comentário presunçoso da contracapa...
Verdade é que presunçosa, ou não, estava coberta de razão. Nunca li um livro assim, posso afirmá-lo. A sério. Ali Smith é genial.
É daqueles casos em que dá vontade de dizer "quando for grande, quero ser uma escritora assim!".
Estamos a falar de um livro em que a história central gira sobre uma mulher, uma estranha mulher, que surge no seio de uma família disfuncional, em que cada um dos seus elementos começa a desintegrar-se de dentro para fora, cuja alma há muito deixou de se sentir ou tentar encontrar-se. Fisicamente visível ou não, esta mulher, ou anjo, surge e como uma forte rajada de vento muda mentalidades, busca ordem em pensamentos desarrumados, sei lá, há um rumo estranho na sua chegada...
 
Leiam.
 
Boas leituras.
 

30 Day Book Challenge - Dia 8

 
 
E hoje o desafio é...
 
Day 8 - Most overrated book
 
Sem precisar de me alongar muito, acredito que um livro muito aclamado e sem qualidade literária para tal foi a saga «Twilight» de Stephenie Meyer.
 
 

30 Day Book Challenge - Day 7

terça-feira, 29 de outubro de 2013


E hoje o  desafio é...
 
Day 7 - A book that makes you laugh
 
Um livro que me fez rir imenso, com momentos verdadeiramente hilariantes foi «Dias Tranquilos em Clichy» de Henry Miller.
 
 

30 Day Book Challenge - Day 6

segunda-feira, 28 de outubro de 2013


E hoje o desafio é...

Day 6 - A book that makes you sad

Bem, a primeira escolha recai num livro que ao dizer «deixou-me triste» não se aplica totalmente. Contudo, a emoção inerente na leitura deste livro, de tão incompreensível e igualmente potente, não me permitiria escolher outro! (Pois de alegria não se trata, tristeza também não..., um grande abismo!)
Falo de «Admirável Mundo Novo» de Aldous Huxley.
 
Grande. Grande livro.

30 Day Book Challenge - Day 5

domingo, 27 de outubro de 2013


E hoje o desafio é...

Day 5 - A book that makes you happy

Um livro que me deixa particularmente feliz por muitos motivos, pelo conteúdo inspirador de alegria e esperança de um modo muito terno é, sem dúvida: «Mulherzinhas» de Louisa May Alcott. Um dos livros da minha infância e que ficou para sempre.

30 Day Book Challenge - Day 4

sexta-feira, 25 de outubro de 2013


E hoje o desafio é ...

Day 4 - Favorite book of your favorite series

Da trilogia que referi anteriormente, gostei sobretudo do livro «Terra Bendita». Lembro-me, agora, de um outro livro que apreciei bastante de uma trilogia: «Chocolate» de Joanne Harris.
 
 
 

30 Day Book Challenge - Day 3

quarta-feira, 23 de outubro de 2013


E hoje o desafio é ...
 
Day 3 - Your favorite series
 
 
Sem precisar de pensar muito, a trilogia que mais gostei é a da escritora Pearl S. Buck, composta pelos livros «Terra Bendita», «Os Filhos de Wang Lung» e «Casa Dividida».
 
 


 

30 Day Book Challenge - Day 2

terça-feira, 22 de outubro de 2013


Hoje o desafio é...

Day 2 - A book that you've read more than 3 times

Já reli alguns livros, no entanto, há um livro em específico que reli inúmeras vezes, muito mais que três vezes. Tinha-o sempre comigo e por vezes, abria-o ao acaso para ler apenas algumas passagens. Falo de "Fazes-me Falta" de Inês Pedrosa.



30 Day Book Challenge - Day 1

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Descobri este desafio no blog «A Rapariga dos Livros» :) e decidi segui-lo também. Um desafio engraçado.
Assim sendo, temos 30 dias para expor determinados livros de acordo com um desafio específico.
Hoje o desafio é...

Day 1 - Best book you read last year

Pela loucura, pelo poder da escrita, pela soberba mensagem, sem sombra de dúvida, o melhor livro que li no ano passado foi "O Retrato de Dorian Gray" de Oscar Wilde.


Incendiário (Chris Cleave)

sábado, 19 de outubro de 2013


Já há algum tempo que não me deparava com um livro que gostasse realmente. «Incendiário», a primeira obra de Chris Cleave, autor do conhecido livro «A Pequena Abelha», conseguiu cativar-me com uma boa história, focada no terrorismo.
O livro começa em forma de carta dirigida a Osama bin Laden e quem a escreve é uma jovem mulher, destruturada, magoada, culpada pela força indescritível que um massacre pode ter na vida de alguém.
Depois de perder o marido e o filho de 4 anos num atentado, no preciso momento em que trai o marido no sofá de sua casa, esta mulher vê a sua vida irremediavelmente quebrada para sempre. A partir deste momento, entra numa espiral de mágoa e comprimidos que tentam atenuar uma dor impossível de passar, misturada com a força  de quem perde alguém e anseia encontrar uma forma de restabelecer alguma paz a quem foi.
Em cartas sentidas, e por vezes, quase irrisórias, dirigidas ao «Caro Osama», vai tentando atenuar a sua dor numa jornada brindada por personagens igualmente perturbadas em que, ironicamente, acaba por se tornar porto de abrigo.
A mensagem, no meu ponto de vista, prende-se sobretudo à dor de uma mãe e à força de fazer alguma coisa que deixe bem claro um amor inqualificável, de tão grande que é. Confesso que senti o desfecho um pouco forçado, no entanto, acredito que o autor foi feliz no fio condutor de todo o livro e na ideia que pretendia transmitir: a dor de uma mãe, culpada, e a vingança como a única saída possível.
Tudo isto em paralelo a um cenário social que pulsa acelerado nos dias que correm. A jovem mulher acaba por representar o rastilho fruto das consequência da maldade dos outros.
 
"Anda Osama o meu filho precisa de um pai e já são horas de também tu cresceres. Disse-te tudo o que há a dizer sobre a tristeza das bombas portanto agora tens de desistir delas. Sei que és um homem inteligente Osama muito mais do que eu e sei que tens muitas coisas para fazer mas devias ser capaz de as fazer com amor é exactamente aí que quero chegar. O amor não é capitulação Osama o amor é fúria e coragem e ruído pode-se ouvi-lo no barulho que o meu filho está agora mesmo a fazer enquanto brinca. GRRRR! GRRRR! diz ele só queria que o ouvisses Osama este barulho é o som mais feroz e ruidoso na Terra há-de ecoar até ao fum do tempo é mais ensurdecedor do que as bombas. Ouve este barulho Osama são horas de parares de bombardear o mundo. Vem ter comigo Osama. Vem ter comigo e juntos voltaremos a unir o mundo COM UM RUÍDO E UMA FÚRIA INCRÍVEIS."
 
 
O livro não tem vírgulas. Uma só, como se pode ver nesse excerto. Acaba por criar, por vezes, alguma confusão ao leitor. Penso que a ideia parte mesmo do autor, cuja protagonista refere inicialmente não saber escrever e não se dar bem com as vírgulas...
 
Por último, a adaptação ao cinema foi uma verdadeira desilusão uma vez que foge tremendamente à história do livro. Alguém viu?
 
 
Um bom livro, que recomendo! :)
 
www.wook.pt: Entre as vítimas de um atentado terrorista ocorrido durante um jogo de futebol em Londres, estão o marido e o filho da mulher que, destroçada, escreve agora uma carta a Osama bin Laden. Num tom simultaneamente emotivo, lúcido, magoado e chocantemente humorístico, ela tenta convencer Osama a abandonar a sua campanha de terror, revelando a infinita tristeza e o coração despedaçado de quem, no fundo, é apenas mais uma das suas vítimas. Mas o atentado é apenas o começo. Enquanto medidas de segurança transformam Londres num território virtualmente ocupado, a narradora também se encontra sob cerco. De início, ela recupera forças ajudando no esforço antiterrorista. Mas quando se envolve com um casal de classe alta, dá por si a ser gradualmente arrastada para uma teia psicológica de culpa, ambição e cinismo, que corrói a sua fé na sociedade que defende. E quando uma nova ameaça de bomba atira a cidade para mais uma vaga de pânico, ela vê-se forçada a actos de profundo desespero …Mas reside aí, talvez, a sua única hipótese de sobrevivência.
 

A Última Amante de Hachiko (Banana Yoshimoto)

sexta-feira, 18 de outubro de 2013



O amor está muito presente neste livro. Enfim, posso dizer que se trata, na minha opinião e forma de análise, como o processo  e diferentes etapas de quem vive o amor: as suas intensidades e ilusões inerentes, de certa forma.
A protagonista da história está deslumbrada por Hachiko, e tudo aquilo que este rapaz representa na sua vida pouco apetecível, vinda de uma família ligada ao sobrenatural e que rejeita de uma forma peculiar...
Etapas do amor, o deslumbramento, misticismo, o tempo presente brindado pela companhia dessa referência que cura corações partidos, e enfim, o momento de preparar o coração, mais uma vez, para uma despedida anunciada.
Foi basicamente a mensagem que consegui apurar deste livro da Banana... no entanto, não consigo deixar de referir que "Adeus, Tsugumi" me marcou muito mais, na própria escrita e na história em si, mais profunda e rica.
 
Aqui fica a opinião, que como se pode notar, não é muito, muito positiva...
 
Boas leituras!
 
 
Ao som de: Muse "Undisclosed Desires"
 
 
 
www.wook.pt: Romance que reúne o Japão das seitas e a Índia da ascese e do misticismo. Mao é uma rapariga que vive numa comunidade religiosa centrada na figura carismática da avó, curandeira e vidente. Esta seita, após a morte da fundadora, começou a trair os seus ensinamentos e a transformar-se numa comunidade de acólitos exaltados e fundamentalistas. Mao, dotada de alguns poderes sensoriais e de um singular talento artístico, afasta-se cada vez mais deste ambiente,e acaba por ir viver com Hachi, ao qual está ligada por uma profecia de amor e misticismo. No entanto, a sua relação não está destinada a durar. O inevitável fim desta história de amor assinala para Mao o fim da adolescência e a passagem para uma nova percepção mais equilibrada da existência.
 


Mil e Um Fantasmas (Alexandre Dumas)

domingo, 6 de outubro de 2013


Muito bom. Para quem gosta de fantasmas, e eu gosto.
Entre gostar, e acreditar, vai uma distância adorável.
Com uma estrutura narrativa muito interessante, o leitor é conduzido para uma sala em que o ambiente grita por histórias cuja natureza sobrenatural se torna o centro de tudo.
O silêncio, esse, assume a condição máxima para que o poder de cada história alcance o mais alto nível. Shhh...
 
 
Uma boa escolha para noites de Inverno, de preferência com uma boa tempestade lá fora.
 
Tenham medo. Muito medo.
 
 
 

www.wook.pt: Mil e Um Fantasmas é uma das raras obras de Dumas dedicada ao fantástico, ao terror e ao sobrenatural. Através de uma original estrutura narrativa, encaixa diversas histórias separadas. Durante um dia de caça em Fontenay-aux-Roses, Alexandre Dumas testemunha uma horrível tragédia: um homem que assassinara a mulher acaba de se entregar à polícia. Está aterrorizado: depois de decapitar a mulher com um sabre, a sua cabeça rolou na direcção dele e acusou-o. Nessa noite, Dumas é convidado pelo presidente da câmara para jantar. Devido aos acontecimentos do dia, cada um dos convivas relata uma história - cada uma mais aterradora que a anterior - acerca de acontecimentos inexplicáveis ou de natureza sobrenatural. Entre histórias de fantasmas, vampiros, espíritos vingativos e maldições eternas, uma suspeita prende-se à mente do leitor: os mortos podem caminhar entre os vivos…
 
 

 

Citação

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

 
 
 
 
 
 
 
 
 
"The world is a vampire."
 
(Billy Corgan | "Bullet With Butterfly Wings" | The Smashing Pumpkins)
 
 
 
 
 
 
 

A Nona Vida de Louis Drax (Liz Jensen)

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Nas muitas críticas que li sobre este livro, a palavra "humor" foi recorrente, incluindo na capa do próprio livro (“divertido”).
Ainda estou a tentar perceber como é que este livro pode ser divertido. Falar em humor negro, ainda se compreende, mas divertido, com humor, ou que seja, não concordo. Minimamente.
Não gostei deste livro. Penso que a autora batalhou exageradamente para trazer ao de cima um tema centrado numa síndrome (Síndrome de Münchausen) em que a carência afectiva é o grande elemento definidor (no presente caso), quando o poderia ter feito, na mesma linha, de uma forma menos fantasiada. Quero com isto dizer que me causou uma certa inquietude ler sobre esta síndrome, adivinhando a necessidade do Louis ser amado por uma mãe completamente desequilibrada (e altamente previsível no livro), num registo policial mirabolante com vozes do inconsciente, um neurologista pouco profissional apanhado nas malhas do amor, e vou continuando até ter mesmo a certeza que estou perante o pior livro deste ano.
Convenhamos, o leitor interessa-se pela temática e acaba-se o livro com uma criança que permanece em coma e com propensão a acidentes, em aberto…
Até consigo perceber a ideia, no geral, mas não me agradou minimamente.
Um enredo demasiadamente elaborado para uma temática, em si mesma, muito profunda e que foge, na minha opinião obviamente, ao que seria mais importante: o Louis Drax (que curiosamente, encabeça o título do livro…).
 
Não recomendo.
 
 
www.wook.pt: Louis Drax é um miúdo de nove anos, precoce, inteligente, problemático e muito dado a acidentes. Em cada ano da sua curta vida, sofreu pelo menos um episódio de maior gravidade, acidente ou doença, mas sobrevive sempre como o gato que cai sobre as quatro patas. No seu nono aniversário, durante o piquenique familiar, o pequeno Louis cai de uma falésia e afoga-se num rio permanecendo num coma profundo de onde poderá não regressar… Uma história brilhante, contada a duas vozes: a do próprio Louis, dentro do seu inacessível subconsciente, e a do neurologista, ao cuidado de quem o jovem fica após o misterioso desaparecimento do seu pai.

Poesia

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Escrevias pela noite fora. Olhava-te, olhava
o que ia ficando nas pausas entre cada
sorriso. Por ti mudei a razão das coisas,
faz de conta que não sei as coisas que não queres
que saiba, acabei por te pensar com crianças
à volta. Agora há prédios onde havia
laranjeiras e romãs no chão e as palavras
nem o sabem dizer, apenas apontam a rua
que foi comum, o quarto estreito. Um livro
é suficiente neste passeio. Quando não escreves
estás a ler e ao lado das árvores o silêncio
é maior. Decerto te digo o que penso
baixando a cabeça e tu respondes sempre
com a cabeça inclinada e o fumo suspenso
no ar. As verdades nunca se disseram. Queria
prender-te, tornar a perder-te, achar-te
assim por acaso no meu dia livre a meio
da semana. Mantêm-se as causas iguais
das pequenas alegrias, longe da alegria, a rotina
dos sorrisos vem de nenhum vício. Este abandono
custa. Porque estou contigo e me deixas
a tua imagem passa pelas noites sem sono,
está aqui a cadeira em que te sentaste
a escrever lendo. Pudesse em propor-te
vida menos igual, outras iguais obrigações.
Havias de rir, sair à rua, comprar o jornal.
Por um rosto chego ao teu rosto,
noutro corpo sei o teu corpo.
Num autocarro, num café me pergunto
porque não falam o que vai
no seu silêncio aqueles cujo olhar
me fala da solidão.
Esqueço-me de mim. Tão quieto
pensando na sua pouca coragem, a minha
sempre adiada. Por um rosto
chegaria ao teu rosto, mesmo de um convite
ousado fugiria, esta mão conhece-te
e desenha no ar o hábito
por que andou antes de saíres
do espaço à sua volta. Estás longe,
só assim podes pedir algumas horas
aos meus dias. Sem fixar a voz
a tua voz é uma corda, a minha
um fio a partir-se.
 
 
Hélder Moura Pereira (n.1949)
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