E os vencedores são...

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

À semelhança do ano anterior, não vou referir os 52 livros lidos ao longo do ano mas sim destacar aqueles que se tornaram mais importantes. Este ano são três livros que não consigo deixar de destacar:
 
 
 
 

 
 
 
Bom ano de 2015, com muitos, muitos livros!
 

 

Citação

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014



 
 
"O mais corrosivo de todos os ácidos é o silêncio."
 
(Andreas Frangias)
 
 

Love. Love. Love.

domingo, 28 de dezembro de 2014

 
 
Retirado Pinterest.

Herdeiros do Ódio [O Filme]

sábado, 27 de dezembro de 2014



Para os mais preguiçosos, o filme.
No entanto, acredito que neste caso só quem leu o livro poderá entender claramente a essência da história.
 

 
 
O trailer:
 
 
 


Herdeiros do Ódio (V.C. Andrews)


«Herdeiros do Ódio», escrito por V.C. Andrews há 35 anos atrás é um daqueles livros poderosos e de uma intensidade incapaz de cair no esquecimento.
Não é um livro. É um senhor livro.
 
Cleo Virginia Andrews era pintora profissional até se dedicar à escrita a tempo inteiro. Os seus romances combinam horror gótico e saga familiar, girando em torno de segredos de família e amor proibido (envolvendo frequentemente temas de incesto consensual, na maioria das vezes entre irmãos). Os livros de V.C. Andrews venderam mais de 105 milhões de exemplares em 22 línguas. Faleceu em 1986.
 
O leitor acompanha a vida de quatro jovens irmãos que, após a morte do pai num trágico acidente de viação, veem a sua vida mudar irremediavelmente. Por vezes, as mudanças podem ser motivo de alegria e expectativa mas não para estes jovens que partem para casa dos, até então, desconhecidos e ricos avós maternos.
Numa mansão de tamanho a perder de vista, riqueza sem fim, os irmãos dão início a uma infância de portas...trancadas. Entre um pequeno quarto e um velho sótão. Na promessa de alguns dias ali confinados até que a mãe reconquiste a confiança do velho pai - entre segredos até então desconhecidos - , os dias vão-se arrastando a meses, e estes, a anos. Anos pesados que moldarão para sempre a personalidade dos irmãos, sobretudo Cathy e Chris, os irmãos mais velhos que, repentinamente, se sentem os pais assumidos dos pequenos irmãos gémeos.
Inicialmente, a esperança. Esperança de que todo um cenário macabro como aquele não passe disso mesmo, um cenário. Que passe rápido, mas não passa. Os dias, esses, passam lentos e a sua conta, aumenta sem previsão de terminar.
Vem a forçosa adaptação. A comida racionada. O sono intranquilo. O medo. As sanções. O contacto com o pecado até então desconhecido. Uma Bíblia contraditória. A hipocrisia palpável na forma de uma avó assustadora, que invoca o nome de Deus com a boca suja. Suja de segredos que viriam a ser descobertos, mais tarde.
É assim, num emaranhado cinzento, macabro e solitário que Cathy e Chris continuam a crescer, a puberdade a emergir e os corpos a reclamar um amor que não têm fora daquelas paredes sinistras. Como ervas daninhas, agarram-se a si mesmos, uma solidão que ampara a outra. Justificada entre eles. Com o peso do pecado. Com o peso do vazio de anos roubados.
Depois, a luta e a fuga. A dor de quem perde. E a dor de quem se ilude. Como Cathy diz, não há ódio mais capaz, mais forte, do que aquele que nasce de um amor traído.
Por fim, a ausência da vingança. Na minha opinião, o fim é uma das melhores partes do livro. Não por acabar, mas pela forma como acaba. Sempre me ensinarem que o silêncio é digno dos inteligentes e estes jovens só querem viver outra vez.
Que forma melhor do que, apenas e só, seguir em frente?
 
Um livro para guardar.
E venham os próximos da série.
 
 
Boas leituras.

Gaveta de Filmes

 
 
 
Ok, é uma comédia romântica. Mas! Merece o reconhecimento pela abordagem à doença mental e, sobretudo, à tendência do julgamento fácil.
Se virem, vão perceber.
 


 
"- Have you ever been in love before, Daisy?
- No.
- Then how do you know you love Mr Wheeler?
(...)
- When it happens, you know it's not anything else."

Palavras Soltas #2

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Conceito de si (fr. concept de soi; ing. self concept). Representação de si no sistema de conhecimentos do indivíduo. Esta representação é equivalente a uma estrutura cognitiva provavelmente complexa que intervém no tratamento das informações provenientes ou do ambiente social do indivíduo ou do seu próprio comportamento. Ela é feita de um conjunto de metaconhecimentos funcionais e de conhecimentos factuais que se encontram ativados por certos aspectos salientes do meio ou do comportamento. O conceito de si serve para organizar a nova informação relativa ao si. Ele implica regras de inferência, de julgamento, de codificação, de recuperação em memória destas informações, bem como de predição e de planificação dos comportamentos futuros.
 
ERSOC (Dicionário de Psicologia) 

One

 



Natal com Nutella :)

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

 
 
 
Nesta que é a bela noite de Natal resolvi apresentar um livro muito especial: «Cozinhar com Nutella». Um livro obrigatório para ter ali na estante da cozinha, sempre à mão para transformar e alegrar os dias. Sim. A Nutella tem esse imenso poder.
Como não poderia deixar de ser, deixo aqui uma das receitas já comprovadas neste livro de Paola Balducchi. Para repetir!
 
Bom Natal. Bons momentos :)
 
P.S. E já agora, uma bolachinha aqui e ali barrada com Nutella!
 
 
«Bolo Moka com Nutella»
(p. 106)
 
 
 
 
 


Ingredientes de Natal

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Vá, chamem-me nostálgica ou até previsível, que eu não me zango.
Natal que é Natal tem Mr Scrooge!
É ou não é?
Livro e filme para consumir como chocolate, pois claro! ;)
 
 
Feliz Natal!
 
 
 
:)


Citação

 
 
 
Hmm. Hmm.
Oui. C'est vrai.

Espera por mim (Gayle Forman)

domingo, 21 de dezembro de 2014

Esta é a continuação de «Se eu ficar», livro que narra a história de Mia, a adolescente que após perder a sua família num acidente de viação, e acordar do coma, se vê agora confrontada com uma série de escolhas em nada fáceis de assumir. Entre elas, o amor por Adam e a sua dolorosa presença. Associada a recordações que não quer ter.
Confesso que estamos perante o chamado livro pipi. O livro fofinho. Livro algodão doce. O que quiserem. Uma espécie de livrinho leve que narra uma história trágica com amor adolescente à mistura que, apesar das adversidades, tem o seu previsível "final feliz".
Mais do que isto poderei dizer que o livro tenta sublinhar as dificuldades do luto, os seus estádios inerentes, a inevitabilidade da vida e a urgência em superar as mazelas que esta, irrevogavelmente traz.
De forma global, estes dois livros, com uma escrita muito acessível e direta, permitem ao leitor momentos descontraídos com uma pequena, triste e simultaneamente feliz história de amor entre dois jovens ligados pela música e pela tragédia.
 
 
 
Boas leituras.
 
 

Gaveta de Filmes

Ah e tal e isto é um blogue de livros mas vamos lá ser rebeldes e falar de filmes. Só para sermos diferentes. Fugir da rota.
 
 
«Restless»
é um desses filmes que merecem toda a atenção.
Estão à espera de quê? Comecem já a ver. Já.
 
 
 
 
 

"Hmm... música para os meus ouvidos" :)

 
 
 


É para ti, chuva.
Vais encontrar o caminho para casa, outra vez.
Como música para os teus ouvidos.
 
 
 


Se eu ficar (Gayle Forman)

domingo, 14 de dezembro de 2014

«Se eu ficar» é um pequeno livro juvenil escrito por Gayle Forman, sobre Mia, uma adolescente que vê a sua vida mudar para sempre após um trágico acidente de carro que vitimiza toda a sua família.
Ainda em estado de coma, o leitor acompanha as reflexões de Mia enquanto a própria vislumbra o mundo numa perspetiva que nem a própria entende. Num limiar entre a vida e a morte.
Acredito que seja esta força principal do livro: a iminência da morte e a ponderação face às diferentes possibilidades, escolhas que ainda poderíamos fazer.  Ou que jamais virão a materializar-se.
Numa linha de porquês legítimos, o leitor terá a oportunidade de seguir uma adolescente apaixonada pelo namorado e pela força redentora da música, tudo junto numa busca desesperante de quem ainda quer... ficar.
 
 
Adaptado ao cinema, podem ver aqui:
 
 
 
Boas leituras! :)
 

Poesia nos bolsos

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

 
 
Assim me vi um dia a cair,
Da minha verdade, da minha loucura,
Dos meus fervorosos devaneios diurnos,
Cansado dos dias, enfastiado pela luz do sol,
- fui caindo, rumo à noite, rumo às sombras:
Uma única verdade
Me roubou toda a cor e me deixou sequioso:
- Ainda te recordas, ainda recordas, coração ardente,
Como nesse tempo tinhas sede? -
Ver-me assim banido
De tudo quanto é verdade!
Um mero louco! Um mero poeta!
 
 
 
 
Friedrich Nietzsche
Um mero louco! Um mero poeta!


A Vida Peculiar de um Carteiro Solitário (Denis Thériault)

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

«A Vida Peculiar de um Carteiro Solitário» é um livro diferente, mas que encerra em si os temas mais básicos da vida. Diferente, então, pela abordagem, pelo conceito e pela quase irritabilidade que causa, inicialmente, pelo carteiro que se apodera das cartas que não são suas. O mais comum dos mortais ficará incrédulo pela curiosidade e falta de profissionalismo deste senhor. Até ao momento. Até entender onde vai a solidão de um desgraçado. Vai longe. Oh se vai. É precisamente aqui que este livro de Denis Thériault encerra em si os temas mais básicos da vida como a solidão e o amor, o desejo de sermos amados e o pânico palpável de sermos rejeitados. Esse pânico é sentido de forma viva neste pequeno livro, onde a poesia se torna o fio condutor de um diálogo de dois amantes, com um terceiro, que se apodera do lugar do segundo, sempre conduzidos pela arte invocada da poesia.
Roubando a correspondência alheia, Bilodo acaba por se apaixonar irremediavelmente por Ségolène que troca cartas com Grandpré. Após o acidente que rouba a vida a Grandpré, Bilodo, num ato de desespero apaixonado, assume-se como Grandpré, continuando a troca de cartas...sem pensar nas consequências dos seus próprios atos. Dizem que o amor tem destas coisas. Mas muitas outras tem que não se podem prever.
Um pequeno livro que permite refletir sobre temas como a vida, a moralidade, o sentido de pertença, desejo de amar e ser amado. Mais do que isso, este livro é uma nota considerável à desatenção dos dias, ao desajuste das expectativas perante os desejos e até onde tal nos pode levar. E sobretudo, onde poderíamos ter ido e sermos tão mais felizes.
Com um registo que muitas vezes é marcado por uma espécie de magia, surrealismo que seja, somos encaminhados a refletir nestas temáticas sob o prisma do encantamento indescritível das palavras. Da poesia.
 
Boas leituras!
 
Ao som de: Coldplay "Fix You"
 
 
www.wook.pt:  Esta é a história de um carteiro solitário que vive a sua vida através dos outros, lendo a correspondência alheia antes de a entregar aos destinatários. Inesperadamente, esse carteiro assume a existência de outro homem e aproxima-se da mulher por quem se apaixonara. E assim começa uma apaixonante história de amor, uma relação única, intensa e bela vivida apenas através das cartas e dos poemas que trocam entre si. Mas durante quanto tempo poderá Bilodo continuar a viver aquela mentira - e aquele amor? Num registo intimista e tocante, Thériault explora os temas do amor, da imaginação, do sonho e das dimensões inconscientes do espírito humano.
 

Palavras Soltas #1

domingo, 7 de dezembro de 2014


Amor (fr. amour; ing. love). O amor é um sentimento infeliz no caso de não ser recíproco e, quando partilhado e satisfeito na maior parte das suas expectativas, causa felicidade; este sentimento que uma pessoa dirige para uma outra pessoa específica e faz com que se deseje receber e se proporcionarem prazeres (sexuais, no caso de se tratar de adultos), ternura, admiração, cooperação, compreensão e proteção ou pelo menos algumas destas satisfações. Mais do que pela psicologia, o amor foi descrito na literatura em todas as suas variedades (heterossexual, homossexual, parental, filial, narcísico), nas suas intensidades (um breve encontro, don juanismo, uma paixão violenta), nos seus processos e efeitos.
Muitas vezes, o amor é apresentado, incorretamente, como o oposto do ódio: ora, o contrário do amor não é o ódio mas a indiferença afetiva.
 
 
D. Anzieu e R. Doron (Dicionário de Psicologia, 2001)

A Rainha da Neve (Michael Cunningham)

Posso tão simplesmente dizer que "A Rainha da Neve" é um livro centrado, sobretudo, na força do "não ter".
Estamos perante um livro repleto de personagens interessantes e densas. Pesadas. Por dentro. Repletas de questões sem fim, e numa procura incessante de respostas que tardam em chegar. Procuram, então, num desespero quase doente, e alucinado, pequenos sinais que os aproxime a essas respostas. Uma resposta que traga paz, uma reconciliação consigo mesmo. Nem que seja um piscar de olhos de um céu. Um sinal malandro de um céu desconhecido. De um Deus desconhecido. Alguma coisa que lhes permita ir vivendo os dias, suportando e sobrevivendo à força de não ter, porque ter, amortece e pacifica. Não permite procurar mais, não requer esse esforço contínuo, esse investimento que as pessoas que estão ao nosso lado, ávidas, proclamam. Que exigem, sem falar, que apregoam, sem dizer. Tendo, acabamos por, paradoxalmente, não ter. Não amar como seria suposto. Estabilidade que estagna, sem cordas que nos puxem.
Se parecemos uns tolinhos nessa imersão complexa de quem sente, claro que sim. Mas isso são já outras histórias. De quem nos criou. De quem nos moldou. E de quem escreveu o nosso pequeno conto. De quem acabou por nos desenhar assim à força das intempéries dos dias que se foram vivendo. Somos uns tolinhos a quem não foi ensinado o mais importante. Mas isso, como já disse, são outras histórias.
"A Rainha da Neve" é um livro que consegue misturar, em si mesmo, doses de loucura, comédia e muita, muita sensibilidade. Uma sensibilidade verdadeiramente tocante quanto à nossa fragilidade e necessidade de nos encontrarmos, de nos vingarmos a nós próprios, a deixarmos o nosso reflexo em algum lugar. Um sinal. Qualquer coisa. Uma luz qualquer. No chão. Ou no céu, quem sabe. Um pouco de amor. De música. De gelo, quem sabe. Qualquer coisa que nos pacifique por dentro.
E tudo isto, pela força suprema de um não ter. Que move, que empurra, que seduz.
 
 
Um livro a reter.
 
 
Boas leituras.
 
 
"A Rainha da Neve" | P.121
 
 
O romance luminoso de Michael Cunningham, autor de As Horas, começa com uma visão. Estamos em Novembro de 2004 e Barrett Meeks, tendo perdido um amor uma vez mais, atravessa o Central Park quando se sente impelido a olhar para o céu. Ali, avista uma luz pálida e translúcida que parece olhar para ele de uma forma inequivocamente divina. Barrett não acredita em visões - nem em Deus - mas não pode negar o que viu e sentiu.
Ao mesmo tempo, Tyler, o irmão mais velho de Barrett, músico em busca de inspiração, tenta - sem sucesso - escrever uma canção de casamento para Beth, a sua noiva gravemente doente. Tyler está determinado a escrever uma canção que não seja meramente uma balada sentimental, mas uma expressão duradoura de amor.
Cunningham segue os irmãos Meek nos seus diferentes percursos em busca da transcendência. Numa prosa subtil e lúcida, demonstra uma profunda empatia pelas personagens torturadas e uma compreensão singular daquilo que constitui o âmago da alma humana.
 

Desejar coisas boas! :)

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

 
 
 
"A libertação do desejo conduz à paz interior."
Lao-Tsé
 
 
Muitos desejos!
E muitos livros, pois neles encontro a minha paz!
 
E vocês? Muitos desejos que vos tranquilizam ou amedrontam? ;)
 
 

O Pintassilgo (Donna Tartt)

domingo, 30 de novembro de 2014

Um mês depois, trago-vos aquilo que me ficou de «O Pintassilgo» de Donna Tartt. Uma autora que, desde já, devo dizê-lo, admiro muito desde aquele estranho fascínio em 2009, curiosamente, pela capa do seu livro «A História Secreta». Coisas.
Devo dizer que senti diferenças significativas em termos editoriais, para aqui pouco chamadas, mas senti. Relembro que os dois primeiros livros da autora, em Portugal, foram lançados pela Dom Quixote. Não sei se quem já os leu, a todos os livros da autora, sentiu o mesmo, ou se fui apenas eu. Diferenças que nem eu consigo explicar bem, mas acredito que foram significativas sem, no entanto, retirarem o talento que é absolutamente indiscutível da brilhante autora que é Donna Tartt.
Há sempre uma sinistralidade nos seus livros. Há o crime. Há o sinistro. Há o cinzento. Há uma densidade que corta em cada personagem que cria, e arrasta, cada leitor no caminho que decidiu traçar. E que caminho este.
Em torno de um pintassilgo. Um pequeno pintassilgo acorrentado.
 

Em torno do poder da arte. De uma imagem. Da magia da arte e no poder desta na vida de quem por ela passa.
Esta é a história de Theodore e a dor lancinante de perder a sua mãe, após um atentado no museu que visitavam. E do nada, como a vida se mostra, determinada e inconstante na mesma medida, retirou-lhe certezas e adicionou-lhe escapes. Escapes que andaram, durante toda a sua vida, aliados a essa obra de arte. «O Pintassilgo» de Fabritius acompanha Theo ao longo de uma vida sem chão, onde a arte se torna num refúgio sereno de lembranças inconcebíveis de se permitir esquecer. Como uma tábua de salvação. Como um fio invisível a ligar passado, presente e um futuro que desconhece qualquer enredo possível.
Desnorteado, Theo limita-se a viver os dias que lhe vão surgindo, na força pesada de quem não quer lembrar e é precisamente nessa anedonia, que muitas sombras surgem e lhe formam o caráter. A vida de um miúdo de 12 anos entregue a si mesmo, empurrado de mão em mão, a terminar num mundo esperado de drogas, em esperadas visões alternativas, culminando em desfechos que, de certo, já esperaria.
Este é um livro que merece ser lido, pois acredito que a perceção de cada um, por ele, será um pouco diferente. Não fosse centrado numa obra de arte, passível de interpretações tão distintas.
Um livro baseado numa obra de arte, refletida na vida de um jovem que nela assenta cada passo que deu. Um reflexo de como precisamos de alicerces. De uma base que justifique, de alguma maneira, as escolhas que tomamos. Certas ou erradas.
Mas que tomamos. Por uma força muitas vezes difícil de explicar. Essa força que não traz guia de instruções, que não permite moralidades prévias, não permite nada.
A força do coração. Que só permite sentir. E andar. Para a frente.
 
Arriscar.
 
 
Sendo eu desde muito tempo admiradora assumida de Donna Tartt, muito me apraz poder recomendar, com as duas mãos, mais um dos seus BRILHANTES livros.
 
Boas leituras.
 
 
 
Ao som de: Endless Melancholy "Somewhere"
 

Citação

 
 
 
Retirado Pinterest

Felicidade e Loucura...

domingo, 23 de novembro de 2014

 
 
 
 
 
 
... andam sempre de mãos dadas.
Juntem-lhe a dança e temos a combinação ideal ;)
Shake It Off! Shake It Off!
 

[Repetindo] Um Grande Salto (Nick Hornby)

 
Porque sim. Porque há livros que ficam.
E filmes também.
 
 
 
 
 
 
Um livro aparentemente simples. Um filme igualmente simples.
Mas muito bom.
 
 
 
"Because maybe
You're gonna be the one that saves me
And after all
You're my Wonderwall"



Recomendo, outra vez ;)

Boas leituras.
 


Livros com pernas

sábado, 22 de novembro de 2014



 
 
Às vezes questiono o porquê de não serem os livros as pessoas, e as pessoas livros que se possam arrumar em estantes?
"Não entendo muito bem esse teu capítulo..."
 
Devaneios de um Sábado
(risos)
 
 

Não confudam...

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

 
 
 

Não são SAPATINHOS no Natal. Trata-se de um Natal com LIVROS no sapatinho ;)
 
 
 
 
Promoção da Leitura com o Grupo Imaginauta

Citação

terça-feira, 18 de novembro de 2014

 
 
 
 
 
 

Combinações Perfeitas

sábado, 15 de novembro de 2014

O casaco de lã. O café. As bolachinhas. A lareira. E o livro.
Tudo junto, numa combinação mais que perfeita! ;)




 
"Grande e nobre é sempre Viver simplesmente."
(Ricardo Reis)
 
 
Bom Sábado. Boas leituras!

10 Razões para Oferecer Livros no Natal :)

domingo, 9 de novembro de 2014

Iniciativa do Grupo Imaginauta, (http://imaginauta.net/) vamos promover a leitura, oferecendo livros neste Natal!
Vejam aqui 10 boas razões ;)
 
 
Livros! Muitos livros!!!
:)
 

No Café da Juventude Perdida (Patrick Modiano)

sábado, 8 de novembro de 2014

 
 
A meio do caminho da verdadeira vida,
encontrávamo-nos rodeados por uma angustiante
melancolia, expressa por tantas
palavras tristes e deprimentes, no café da
 juventude perdida.
GUY DEBORD
 
 
 
"(...) se Louki entrou no Condé pela primeira vez em Outubro, foi por ter rompido com uma parte da sua vida e querer COMEÇAR DE NOVO, como se lê nos romances." (p.17) 
O livro de Patrick Modiano, de sensibilidade acrescida e repleto de personagens sofisticadas do ponto de vista psicológico, traz-nos uma história que de tão simples se torna, paradoxalmente, complexa pelos sentimentos que despoletam.
Louki, mulher que surge de um nada em nada vazio, parece capaz de mudar a perspetiva e a vida de todos por quem cruza. Nesse seu mistério de quem diz as palavras erradas mediadas pelo silêncio das corretas. Apenas para os mais atentos.
Uma mulher. Um café. E uma juventude perdida. Em si mesma, ou numa sociedade que terá já pouco para oferecer. Mas mais importante ainda, os meandros de cada um e aquilo que a si mesmo poderá oferecer.
É em Louki que toda essa jornada acelera, e todas as questões nascem como cogumelos em dias de chuva, assim, numa rapidez que estonteia e deseja respostas num aqui e agora, impossível de obter. Impossível. Pois como se pode pôr mão nos afetos de cada um, sem pedir licença para entrar?
 
"-Nunca compreendi por que razão...Quando amamos verdadeiramente alguém, importa aceitar a sua parte de mistério..." (p.104)
 
Mundo complicado esse, o teu, Louki. Mundo complicado esse, que engloba toda uma juventude perdida que entre dúvidas e respostas, aqui e além, caminham somente na certeza da dúvida.
Na dúvida de não se escreverem as mais belas histórias. Com fins improvisados à força de um sentir descontrolado, que salta para fora de si mesmo.
Nessa complexa simplicidade.
 
 
 
Mr Writer, why don't you tell it like it is?
 
 
"Toda aquela claridade cintilava em mim como uma luz, viva, radiosa. E assim será, até ao fim." (p.110)
 
 
 
Patrick Modiano, escritor francês, laureado com o Prémio Nobel de Literatura 2014.
Primeira obra que desbravo.
Em nada insatisfeita.
 
Recomendo.
Boas leituras.




Ao som de: "Stereophonics - Mr Writer"

Sem tempo. Mas com saudades ;)

terça-feira, 4 de novembro de 2014

 
 
She stepped into the park
I gave up looking for angels
Each moment loving the last one
The fear is walking us by
I understand all her demons
Relying on the day she will see
Shine on
 
Your freedom,I cannot bear
I'll try to be immune to the sadness
Now I pretend we are lovers
I keep wondering why
Shine on
 
You defy, I remain
Prisoner of your decisions
I dream, you laugh
I can remember how it started
One day, you'll see
Detaills will make all the difference
I love you, goodbye
Now you know i'm gone
Shine on
 
 
BLIND ZERO - SHINE ON




Sem muito tempo para ler, sobra a música como antídoto natural.
E que livros poderiam ser feitos a partir de uma música?


Boas leituras. Com inveja descarada!

Cara Lavada

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

 
 
Com a ajuda do Gonçalo :) uma carinha nova para o Ler(-te)
 


Citação

terça-feira, 28 de outubro de 2014

 
 
 
 






Wonderwall

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Today is gonna be the day
That they're gonna throw it back to you
By now you should've somehow
Realized what you gotta do
I don't believe that anybody
Feels the way I do about you now

Back beat, the word is on the street
That the fire in your heart is out
I'm sure you've heard it all before
But you never really had a doubt
I don't believe that anybody feels
The way I do about you now

And all the roads we have to walk are winding
And all the lights that lead us there are blinding
There are many things that I would
Like to say to you
But I don't know how

Because maybe
You're gonna be the one that saves me
And after all
You're my wonderwall

Today was gonna be the day
But they'll never throw it back to you
By now you should've somehow
Realized what you're not to do
I don't believe that anybody
Feels the way I do
About you now

And all the roads that lead you there were winding
And all the lights that light the way are blinding
There are many things that I would like to say to you But I don't know how

I said maybe
You're gonna be the one that saves me
And after all
You're my wonderwall

I said maybe
You're gonna be the one that saves me

 And after all
You're my wonderwall

I said maybe
You're gonna be the one that saves me
You're gonna be the one that saves me
You're gonna be the one that saves me
 
 
Oasis | Wonderwall
 
Letras que dariam um livro ;)
 

Um Grande Salto (Nick Hornby)

domingo, 26 de outubro de 2014


Suicídio (fr. e ing. suicide). Classicamente, o suicídio é o homicídio de si mesmo. E, Durkheim, em 1897, chama suicídio a qualquer caso de morte que resulte de um ato executado pela própria vítima e que ela sabia dever produzir este resultado. (Doron, R. & Parot., F. 2001) Dicionário de Psicologia
 
O que leva uma pessoa a tornar-se assassina de si mesma é uma das grandes dúvidas existenciais. É também um dos pensamentos mais recorrentes. Um dos poderes em mãos virtuoso mas tão definitivo que nos deixa naquele limbo que a muitos entretém num debate que vai entre a coragem e cobardia.
Quanto a isso, não consigo definir uma ideia concreta. Há coragem. Há cobardia. Há uma mistura doce e azeda num ato estranho, grandioso, pequenino, de atirares contigo a um abismo de neve e derreteres por ali abaixo, levando contigo um desfecho, agora, certo.
Não sei. Mas sei de uma coisa. Sei, com certeza, o que poderá levar a esse "homicídio". A esse desfecho incerto, não programado.
Nick Hornby tem uma escrita fantástica, que anda entre um vai e vem de cómico, de sarcástico e sensível, não me deixando escapatória possível a relembrar Augusten Burroughs, igualmente espetacular nessa vertente.
No dia da Passagem de Ano, Martin decide pôr termo à vida saltando do telhado de um prédio, famoso pelo número de suicídios que ali ocorre. Tão famoso que surge Maureen para fazer o mesmo. Seguindo-se Jess. E JJ. Todos no mesmo momento. Quatro pessoas que se encontram no topo de um telhado para pôr termo à vida.
E é assim, numa revelação íntima ausente de palavras, pois os atos bastaram, que nasce uma curiosa amizade, um pacto duvidoso, que acaba por conduzir a vida destas quatro peculiares pessoas.
Pessoas que poderiam ser qualquer um de nós.
 
 
 
Adaptado ao cinema, «A Long Way Down» mostra a jornada dessas quatro pessoas que depois de se unirem, mostram um pouco mais dos motivos desse ansiado "homicídio" que não chega a ocorrer.
Se uns desejam a fama, o estrelato, outros precisam de um pouco da paz restabelecida e do fim da humilhação justificada por atos impensados.
E depois há o grande "gatilho" atado em todos os motivos: o amor ou a falta dele.
Um alguém que te salve.
 
Há sempre alguém. «O Quarteto do Telhado» acabou por perceber isso de uma forma verdadeiramente tocante.
 
Um livro muito interessante pelo tema, pela abordagem, pela sensibilidade escondida e pela forma como vem ao de cima. Muito bom.
O filme vale muito a pena. Recomendo tudo.
 
 
Because maybe
You're gonna be the one that saves me

 And after all
You're my Wonderwall


Ava Adore

domingo, 19 de outubro de 2014

 
 
Só-porque-sim.
 
 

It’s you that I adore
You will always be my whore
You’ll be a mother to my child
And a child to my heart
We must never be apart
We must never be apart

Lovely girl
You’re the beauty in my world
Without you there aren’t reasons left to find

And I’ll pull your crooked teeth
You’ll be perfect just like me
You’ll be a lover in my bed
And a gun to my head
We must never be apart
We must never be apart

Lovely girl
You’re the murder in my world
Dressing coffins for the souls I’ve left to die
Drinking mercury
To the mystery of all that you should ever leave behind
In time

In you I see dirty
In you I count stars
In you I feel so pretty
In you I taste god
In you I feel so hungry
In you I crash cars
We must never be apart

Drinking mercury
To the mystery of all that you should ever seek to find
Lovely girl
You’re the murder in my world
Dressing coffins for the souls I’ve left behind
In time
We must never be apart

And you’ll always be my whore
Cause you’re the one that I adore
And I’ll pull your crooked teeth
You’ll be perfect just like me
In you I feel so dirty in you I crash cars
In you I feel so pretty in you I taste god
We must never be apart
 
(Billy Corgan)


Citação

sábado, 11 de outubro de 2014

 
 
 
 




Citação

terça-feira, 7 de outubro de 2014

 
 
 
"Chega-se a ser grande por aquilo que se lê e não por aquilo que se escreve."
(Jorge Borges)

Stoner (John Williams)

domingo, 5 de outubro de 2014

 

Este livro carrega em si mesmo uma história ainda antes de ser aberto.
 
Foi publicado em 1965 e caiu no esquecimento - tal como o seu autor, John Williams, também ele um obscuro professor universitário. Passados quase 50 anos, porém, o mesmo cego amor à literatura, que movia a personagem principal, levou a que a escritora francesa Anna Gavalda traduzisse o livro perdido. (...) escolheram Stoner como melhor livro do ano.
 
Uma realidade que só comprova que um livro vive para sempre e que, na vida, tudo tem o seu momento certo. Ao que parece, o momento de William Stoner era agora e ainda bem que o leitor teve a oportunidade de o conhecer dado que estamos, efetivamente, perante um livro de tamanha sensibilidade, cuja solidão da personagem principal se torna incapaz de não tocar o mais destemido.
 
«Stoner» é o nome do jovem que se torna professor assistente universitário depois de concluída a sua licenciatura em Letras da Universidade do Missouri.
Inicialmente, criado numa quinta com uns pais apagados como a própria terra que trabalhavam, estes, decidem encaminhar Stoner para a universidade, para a Escola Agrária, a fim de se tornar mais capaz, futuramente, de assumir os seus passos começados.
Stoner assim faz, inicialmente. Mas um dia, confrontado por um estranho professor, de caráter forte, sente-se impelido por uma força inexplicável ao estudo da literatura, que mal compreende e que puxa por si a cada página que folheia.
 
Levado pela corrente, desiste de tudo o que ali o trouxe, deslizando pelos estudos e conhecendo, agora, um conforto calmo e seguro que a literatura, aos poucos, lhe começava a garantir na solidão e quietude do seu pequeno quarto.
Iniciava-se assim uma nova descoberta para Stoner que, gradualmente, se tornava conhecedor exímio da sua nova área de tudo.
Paralelamente, os anos de licenciatura reclamavam o seu fim e com ele, o confronto doloroso de uma notícia que os pobres pais não esperavam encontrar.
 
Adeus quintas. Adeus vidas planeadas. E um olá a uma vida nova rodeada de livros, de uma literatura desejada e desconhecida até então. E depois, o amor. Veio de repente, sem avisar, e desesperado tentou encontrar, sem jeito, formas de o verbalizar e tornar real. Edith tornou-se sua esposa, mas torna-se rapidamente a mulher cinzenta que perpetua toda a vida de Stoner. Uma mulher refinada, de famílias ricas, com outros planos, vê em Stoner a razão de ser da sua vida miserável e o obstáculo certo de jamais conhecer o mundo como desejou, entre tantos outros sonhos concebidos a uma luz ténue.
O amor que Stoner lhe guardava não poderia, jamais, sobreviver sozinho. O desejo pelo seu corpo, unilateral, acabou por se extinguir após a gravidez de Edith e o nascimento de Grace. O novo amor de Stoner, que cuidou da filha nos primeiros anos da sua vida, enquanto Edith semeava novos ódios de estimação ao marido, entre doenças imaginárias e isolamentos obsessivos.
 
A vida de Stoner é assim marcada por situações de desamparo, quer na família como nas amizades, pautadas por poucos amigos, estes, assinalados em meras marcas de água. Sem relações profundas, onde se não fala realmente o que se quer falar.
Os anos vão passando e as questões urgentes começam a surgir em si mesmo. Até onde a vida o está a levar realmente. O que esperava ele, realmente?
 
O livro assenta, assim, na urgência que a literatura e o emprego assumem na vida deste homem peculiar e absurdamente solitário. É a ética que o define, a ponto de semear inimizades e apontar de dedos, que não o afligem nem tão pouco o fazem mudar opiniões, sempre firme e consciente da necessidade de se manter fiel à arte do ensino, do ser professor. Da literatura. Mas o tempo continua a passar e percebe-se uma mudança em Stoner, um abatimento inexplicável que o arrasta pelos corredores da Universidade. Algo mudou e essa mudança é igualmente justificada pela ausência da ética por si defendida, pelo seu amor ao ensino, e por políticas universitárias vingativas.
 
Nesse trajeto nebuloso, Stoner conhece Katherine. O amor que deveria definir a sua relação com Edith, é antes vivida nesse amor fresco, sem entraves, como o amor verdadeiro é. Sem entraves, porque acontece e flui, assim. E pronto.
Esta passagem é uma das mais belas do livro, de uma enorme sensibilidade, mostrando o que de melhor Stoner amealhou ao longo dos seus dias: «Tal como todos os amantes, falavam muito sobre si próprios, como se pudessem assim compreender o mundo que os tornava possíveis».
 
Acredito que é esta a essência do livro, sobretudo, esta: a procura da felicidade, do amor, e da nossa marca na vida. O que esperamos nós da vida? O que esperavas tu, Stoner?
No fim restou o mais importante. Restou o livro.
"Os dedos perderam as forças e o livro que eles seguravam deslizou devagar, e depois mais depressa, sobre o corpo imóvel, e caiu no silêncio do quarto." (p.256)
 
 
 
Mais do que recomendado. Boas leituras.
 
 
Ao som de: Sam Smith "Stay With Me"
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