Empty minds make the most noise

sábado, 30 de abril de 2016

 
A querida Ângela presenteou-me com esta bela imagem.
 
Caso para dizer: palavras para quê?

Estás disposto a morrer pelo quê?

sexta-feira, 29 de abril de 2016

 

Ainda Sonho Contigo (Fannie Flagg)

quinta-feira, 28 de abril de 2016



















Hoje venho falar-vos de um livro de Fannie Flagg, autora pela qual fui ganhando curiosidade pelas inúmeras vezes que ouvia falar. Aqui e ali.
 
«Ainda Sonho Contigo» é uma linda história de amor próprio, e resiliência, que o leitor terá a oportunidade de ver crescer, gradualmente, na personagem inesquecível de Maggie.
Maggie decidiu que estaria na hora de pôr termo à vida. Vida já cansada de ser, pelas agruras de um passado que fora tudo menos o suposto. O suposto de uma mulher que, no auge da sua juventude fora galardoada com a coroa de Miss Alabama, prémio que moldara a visão desta mulher para sempre. A beleza inegável, jurada a pés juntos por todos os conhecidos e desconhecidos, criaram nela a certeza de que teria, a bem ou mal, de singrar na vida. Independentemente dos sacrifícios a que para isso tivesse de se sujeitar. E foram muitos, ao longo de uma vida que, aos olhos desta mulher, pareceu voar e o tempo de parar e conquistar outras coroas, outras medalhas, excedeu a validade esperada.
 
Uma Miss que agora vende casas. Uma mulher que poderia ter casado. Mas não casou. Uma mulher que poderia ter sido mãe. Mas que não foi. Um conjunto pesado de somas que lhe subtraíram todos os sonhos que algum dia ousou ter.
 
Maggie, agora na casa dos sessenta anos, sente-se assim. Fora da validade. E se isso ao leitor menos experiente parecer uma espécie de cliché ou, quem sabe, uma história enfadonha de quem se procura e que sem nada encontrar, se esconde para sempre, engane-se.
Nesta pequena história, Fannie Flagg confrontará o leitor com uma mulher que através da sua própria perda, se encontrará. É precisamente quando sente que pode ir de vez, que percebe os motivos de sobra para ficar.
 
Num registo de seriedade, com laivos de comédia à mistura e de momentos verdadeiramente hilariantes, Flagg delicia o leitor menos emotivo ao transmitir uma mensagem que se quer ampla e sem preconceitos: a depressão é uma espécie de campainha avulsa, capaz de soar à porta de qualquer um. O segredo está em saber encarar. Cada um à sua maneira. Tal como Maggie, ou como você que acaba de me ler, agora mesmo.
  

 
À Editora Guerra & Paz deixo o meu enorme obrigada, que desde logo acedeu a este meu capricho.
 
Ao som de: Ben Howard "Promise"

Gente Singular (Manuel Teixeira Gomes)

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Fui apanhada de surpresa com Manuel Teixeira Gomes. Em primeiro lugar, não sabia bem ao certo do que esperar deste pequeno livro que, no momento da compra, foi mais o impulso do que a ponderação a reinar. Mais tarde é que descobri que se tratava de uma pequena coletânea de novelas.
Não posso dizer que este tenha sido o meu desafio do «Ler(-te) em Português» mais feliz, porque não foi. Estamos perante um livro pequeno, repleto de personagens singulares mas penso que a escrita de Manuel Teixeira Gomes não me conquistou, pelo menos, para já.
Assim, nesta amálgama de pequenas novelas, o leitor deparar-se-á com um conjunto de personagens, quiçá, atormentadas por elas mesmas, repletas de uma - considero talvez característica de escrita do autor - excentricidade notória e intrínseca, conduzindo à natural curiosidade do seu desfecho.
Pessoalmente foi a personagem de D. Joaquina D'Aljezur (mas que não é lá, tão longe!) que mais me cativou, logo das primeiras que surgirá neste monopólio de estórias repletas de gentes (muito) singulares.
 
Numa próxima, quem sabe, voltarei aos escritos de Manuel Teixeira Gomes com curiosidade redobrada.
Alguém por aí que conheça melhor as obras do autor?
 
 
 
 
Uma nova fase concluída deste meu desafio pessoal.
Mais informações, aqui
Surpresas em Maio, que não tarda a chegar.
 
Boas leituras!

As razões de Mark Twain

 

Enfim, a Primavera

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Sarah Andersen

O Mundo Ardente (Siri Hustvedt)

domingo, 24 de abril de 2016


Há muito que ambicionava ler Siri Hustvedt e eis que surgiu a oportunidade com este «Mundo Ardente». Que livro, meus caros. Que livro magnífico.
Penso que a intensidade deste livro esta na mesma medida da sensibilidade do leitor, ou seja, quanto mais sensível, mais penosa a leitura se tornará. Quando digo penosa, digo profunda e proveitosa. É. Por vezes, é precisamente o que dói que mais provoca, o que permite - de facto - observar. Como uma obra de arte, seja um quadro, seja uma escultura. E, sobretudo, o autor que atrás se esconde do objeto criado.
«O Mundo Ardente» retrata a vida de Harriet Burden, artista plástica atormentada pela falta de visibilidade face ao seu trabalho. Falta de visibilidade essa a que atribui ao facto de, perdão, não ser possuidora de um bom par de tomates:
 
"A multidão não está dividida por sexos. A multidão tem uma só mente e essa mente é enlevada e seduzida por ideias. Aqui está uma coisa feita por uma mulher. Tresanda a sexo. Sinto-lhe o cheiro. Todo o trabalho intelectual e artístico, incluindo as piadas, ironias e sátiras, tem mais sucesso na mente da multidão, quando a multidão sabe que, algures por detrás da grande obra, ou do grande embuste, se encontra uma pila e um par de tomates (sem cheiro, claro). A pilinha e os tomatinhos não precisam de ser reais. Não, não, a simples ideia de que existem é suficiente para incitar a multidão a valorizar mais a obra. Assim sendo, recorro à coquilha mental. Viva Aristófanes! Viva a verga ficcional, a varinha mágica que abre os olhos para mundos nunca antes vistos." (p.334)

É impossível uma mulher que se digne não se compadecer dos anseios de Harriet Burden e, a partir daí, embrenhar-se afincadamente numa leitura desenfreada sobre a vida da artista. Vida atribulada, esta. Como artista que se preza. É que na gíria, artista que é artista é tolo. É paranoico. Mas é artista e essa palavra justifica tudo.
 
É com o peso da sua própria arte, na crença vincada da mesma, que Harriet tece um esquema para justificar o quanto a perceção pode mudar ao nos depararmos com uma obra de arte e o conhecimento do seu autor. Seja um homem. Seja uma mulher. Algo muda com base no género do criador.
 
«Máscaras» é assim criado sob o pano de fundo de três homens, artistas, que encontra para se esconder e, ao mesmo tempo, revelar ao mundo o fruto do seu trabalho.
Anton, Phineas e Rune passam a ser o centro de tudo aquilo pelo qual tanto ambicionou: brincar com o mundo, revelando a sua arte que valoriza mais do que qualquer coisa no mundo.
 
Narrado sob a forma de biografia da própria Harriet, escrito por I.V.Hess, vamos conhecendo a árdua jornada da artista na tentativa de fazer prevalecer o seu ponto de vista, a sua própria arte, a sua própria perceção. Que julga ser universal. Auto-centrada.
 
Mas a questão é: e se alguém pensar exatamente o mesmo? A teia só avoluma até ao momento em que a própria Harriet perderá o controlo de tudo.
É num emaranhado verdadeiramente alucinante que Siri Hustvedt põe a lume temas essenciais como o da identidade, o da perceção, o das certezas pessoais como ponto de partida às tomadas de decisão, tão vincadas e que, num virar de cabeça, resvalam como cartas caídas.
Vítima da sua própria perceção, Harriet acaba por se perder em si mesma, nessa procura infinita através da arte, um assunto que parece morrer sem a solução esperada. Como ela. Mas enfim, com uma marca, com um espírito, cujas peças, alguém diria, quase pareciam ouvir-se respirar.
 
Só posso recomendar.
Com ambas as mãos!
 
 
Boas leituras.
 
Ao som de: "Identify" (Natalie Imbruglia)
Composição: Billy Corgan

O que farias por um livro?

sábado, 23 de abril de 2016

 
Nem queiram imaginar.
 
FELIZ DIA MUNDIAL DO LIVRO!

A Livraria dos Finais Felizes (Katarina Bivald)

"(...) Este romance relembrar-nos-á porque somos amantes dos livros e porque é agradável ler alguns finais felizes."
Library Journal
Que o amor é assunto assumido na maioria da literatura, um pouco por todo o mundo, é certo e sabido. É, porém, discutido a forma como é feito. Poderia, então, dissertar entre o livro leve e o pesado, sem balança à mistura, pois certamente compreenderiam onde quereria eu chegar. Há os bons livros. Há os maus livros. Há, depois, a opinião de cada um e há, certamente, um livro certo para cada um. Tal como, me quer parecer, uma pessoa também.
 
Não será assim nos assuntos do coração? Cada história é, à sua maneira, única e especial, por vezes encontrada nos sítios mais recônditos, inesperados e incertos. Tal como neste livro que hoje vos trago: «A Livraria dos Finais Felizes».
 
Por muito que gostemos de nos armar da nossa carapaça protetora de quem tudo pode e supera, é igualmente certo e sabido que no fundo de qualquer desejo, reside a vontade de sermos felizes. É por isso que histórias como a «Cinderella» habitam nos corações de muita gente, bem como tantas outras histórias que nos moldam formas de pensar, de ser, de sentir. Sejamos, pois, um pouco recetivos às histórias com um final feliz, recusando nem que seja por meros minutos, essa cultura do fado, tão tipicamente nossa, do povo cinzento e triste que em si carrega os versos que não diz (já dizia a Florbela!) com receio de que não venham a acontecer. Não vá o Diabo tecer das suas.
 
Na «Livraria dos Finais Felizes» o leitor conhecerá a jovem Sara e a amizade improvável que travou com Amy, de sessenta e cinco anos, uma senhora simpática residente numa pequena cidade perdida no meio do Iowa. A improbabilidade dessa amizade tem os livros como principais intermediários: Sara trabalha numa livraria e é através de um pedido de Amy que a amizade surgirá, conhecendo o amor genuíno que ambas nutrem pela literatura. Com base nessa amizade que a distância faz imperar, Amy desafia Sara a visitar a sua pequena cidade. Acontece, porém, que à chegada, Sara é confrontada com a morte de Amy.
 
Numa história bem construída, Katarina Bivald preenche o seu cenário de personagens cativantes de uma pequena cidade que, tal como se prezam, acolherão Sara com todo o carinho.
Num percurso comovedor, o leitor não só conhecerá uma bela história de amor entre Sara e Tom como, também, as particularidades de uma pequena cidade, de cidadãos unidos entre si pelo bem maior da sua comunidade, arriscando até - imagine-se! - ao desafio às autoridades.
 
Katarina Bivald escreve de mão firme uma história comovedora, repleta de ternura e com um amplo final feliz. Mas não é tudo, leitor.
«A Livraria dos Finais Felizes» existe mesmo ali. Se aquela pequena comunidade de Broken Wheel deu uma nova oportunidade a Sara, também esta proporcionou àquele pequeno pedaço de lugar o melhor dela mesma: um amor incondicional aos livros e a prova de que há um livro para cada pessoa e uma pessoa para cada livro.
 
 
A prova de que a literatura, mais do que uma lufada de ar fresco, orienta, refaz, permite.
Boas leituras.
 
 
 
Bem haja à Penguim Random House por esta surpresa.
 
 

 

Para os mais românticos, deixo uma das músicas mais bonitas de sempre.
(...e que ninguém se atreva a contradizer-me!)

Joyce Carol Oates

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Ciranda de Pedra (Lygia Fagundes Telles)

segunda-feira, 18 de abril de 2016












Quando li, recentemente, que Lygia Fagundes Telles fora indicada para o Prémio Nobel, a motivação para retirar um dos seus livros da estante, ganhou forma mais consistente.
Que livro pesado, e triste, este.
«Ciranda de Pedra» retrata a história de Virgínia, a menina que se sentia diferente de toda a sua família, atida a uma mãe que traíra o pai e que agora morre a passos largos, acamada e senil.
 
Adaptada a novela em 1981, «Ciranda de Pedra» é um livro pequeno mas forte na mensagem que tenta transmitir. Pesada em termos morais, esta é uma história sobre amores, desamores, traições, apegos e desapegos. É também um marco sobre o sonho, a persistência, a esperança e o momento certo em que esta pode, também, deixar de prevalecer.
 
Virgínia, personagem principal, personifica uma amálgama de sentimentos/posturas ao longo do livro, auspiciando no autor uma tomada de decisão firme, que tarda em chegar.
Ela é a menina sonhadora, por vezes, desnorteada, que deambula pela fonte de anões, pedindo a saúde da mãe, o regresso de um pai que afinal não conhece, a concretização de um amor para si impossível e deambula assim, nessas imprecisões de menina e moça que deseja mas sabe, intimamente, não estar à altura da beleza e postura das irmãs.
 
Lygia Fagundes Telles cria, assim, uma história cujo acesso dependerá da sensibilidade do leitor. Isto é, quanto mais sensível, mais penoso se lhe tornará conhecer Virgínia e os seus anseios. Os seus amores. As suas aventuras e desventuras.
 
Recomendo o risco.
Vale a pena entrar naquela casa, conhecer a fonte e os anões, conhecer uma família como tantas outras e que, como cada qual, nela esconde os segredos de nenhuma outra.

DON'T TALK TO ME

domingo, 17 de abril de 2016


Gaveta de Filmes

quarta-feira, 13 de abril de 2016


Hoje deixo-vos a recomendação deste brilhante filme com um ator que gosto muito e baseado em factos verídicos.
Will Smith é o médico legista que irá comprovar os danos cerebrais que o futebol causa, a longo prazo, nos jogadores.
É mesmo muito bom. Vale cada minuto do vosso tempo.
Fica a dica!

Há Penguin no correio!

terça-feira, 12 de abril de 2016















Chegou a casa a novidade da Suma de Letras (Penguin Random House, Grupo Editorial):
«A Livraria dos Finais Felizes»
Katarina Bivald
 
Se a vida fosse um romance, o da Sara certamente não seria um livro de aventuras. Em vinte e oito anos nunca saiu da Suécia e nenhum encontro do destino desarrumou a sua existência. Tímida e insegura, só se sente à vontade na companhia de um bom livro e os seus melhores amigos são as personagens criadas pela imaginação dos escritores, que a fazem viver sonhos, viagens e paixões. Mas tudo muda no dia em que recebe uma carta de uma pequena cidade perdida no meio do Iowa e com um nome estranho: Broken Wheel.
A remetente é uma tal Amy, uma americana de 65 anos que lhe envia um livro. E assim começa entre as duas uma correspondência afetuosa e sincera. Depois de uma intensa troca de cartas e livros, Sara consegue juntar o dinheiro para atravessar o oceano e encontrar a sua queria amiga. No entanto, Amy não está à sua espera, o seu final, infelizmente, veio mais cedo do que o esperado. E enquanto os excêntricos habitantes, de quem Amy tanto lhe tinha falado, tomam conta da assustadora turista (a primeira na história de Broken Wheel), Sara decide retribuir a bondade iniciando-os no prazer da leitura. Porque rapidamente percebe que Broken Wheel precisa de um pouco de aventura, uma dose de auto-ajuda e, talvez , um pouco de romance. Em suma, esta é uma cidade que precisa de uma livraria. E Sara, que sempre preferiu os livros às pessoas, naquela aldeia de poucas gentes, mas de grande coração, encontrará amizade, amor e emoções para viver: e finalmente será a verdadeira protagonista da sua vida.

 
 

Bastante curiosa sobre um livro, aparentemente, com muitos livros lá dentro.
Boas leituras!

A ler O Mundo Ardente

domingo, 10 de abril de 2016

"Por que é que andas sempre de cabeça baixa? A Elsie Feingild disse-me isto ao telefone. Eu não sabia que andava de cabeça baixa. Por que é que estás sempre a pedir desculpa? Desculpa isto, desculpa aquilo. Por que é que fazes isso? É tão irritante. És tão irritante. É por isso que os outros miúdos não gostam de ti, Harriet. Se te digo isto é porque sou tua amiga." p.188

Siri Hustvedt | O Mundo Ardente 

Muitos livros?! O que é isso?

sábado, 9 de abril de 2016


Esta montanha de livros é prioritária.
Tenho a certeza que amanhã farei outra. Igualmente prioritária.

Muitos livros? O que é isso de muitos livros?
Não entendo.

Ler(-te) em Português de Abril

sexta-feira, 8 de abril de 2016

 
Chegou Abril e com ele o novo livro integrado no meu desafio deste ano.
Este mês será dedicado à leitura de «Gente Singular» de Manuel Teixeira Gomes.
 
Vamos lá!
 
____________________
 
Poderão ler mais informações sobre este desafio pessoal, aqui
Ler(-te) em Português de Janeiro, aqui
Ler(-te) em Português de Fevereiro, aqui 
Ler(-te) em Português de Março, aqui

O Pacto (Elle Kennedy)

quinta-feira, 7 de abril de 2016


O livro de Elle Kennedy, recém-chegado às livrarias portuguesas pelas mãos do Grupo Editorial Penguin Random House (Suma de Letras), poderá ser uma excelente recomendação ao leitor de coração assolapado.
 
Se o leitor, tal como eu, vive na casa dos 30, este livro de Elle Kennedy poderá também assumir-se como um exercício de memórias face à frescura que só a  juventude dos 20 é feita.
Falo daquela fase em que compromissos são vagas noções para se ter em consideração num futuro, que se adivinha muito longe ainda. Falo da fase em que os estudos se assumem como o único contrato a termo resolutivo certo, com previsões de um dia tornar real sonhos vincados pela persistência de quem tanto os quer. Falo, também, de um aspeto essencial desta faixa etária: o da descoberta.
 
«O Pacto» conta a história de Hannah, vítima de abuso sexual e que rapidamente se ausenta da terra natal para ingressar na faculdade, assumindo uma nova vida, longe de traumas passados e vivendo já uma fase mais resoluta, após cerca de dois anos de psicoterapia. Conhecemos também Garrett, a segunda personagem principal, que cruzará com Hannah, desenvolvendo assim a trajetória central desta história: a ligação amorosa dos dois jovens.
 
Estamos perante um livro enquadrado no género literário YA (Young Adult) e como tal, espera-se deste tipo de obra uma escrita mais acessível e um enredo menos intrincado. Apesar do referido, destaco um aspeto que considerei especial na escrita de Kennedy: a capacidade da autora em ridicularizar os discursos das suas personagens, em determinados momentos, dando as brechas necessárias para evitar o cansaço do leitor.
 
Elle Kennedy, através de uma escrita muito acessível, enfatiza a importância da resiliência como forma de ultrapassar inseguranças e medos, de qualquer ordem. É nas personagens de Hannah e Garrett que o revela encimando a relação galopante deste casal e o seu  crescimento emocional e sexual, que lhes permitirá, tal como Garrett afirma, "olhar apenas em frente".
 
 
 
Um obrigada muito especial à Penguin Random House pela oferta.

Vale sempre a pena...

quarta-feira, 6 de abril de 2016

 
Eis a altura em que a alma dos leitores não é nada pequena.

Há Penguin no correio!

terça-feira, 5 de abril de 2016













Com direito a efeito surpresa, chegou a casa «O Pacto», livro de Elle Kennedy, disponível nas livrarias já partir de amanhã, dia 6 de Abril de 2016.
Por estes lados, já me aventurei na leitura e abro a cortina para vos adiantar que se adivinham momentos, diria, fogosos...! (Risos)
 
Um grande bem haja à Penguin Random House pela atenção.
 

 
___________
 
 
Sinopse:
Hannah Wells encontrou finalmente aquela pessoa. Segura e confiante em todas as outras facetas da vida, enfrenta uma série de receios e inseguranças no que toca a sexo e sedução. Se quiser prender a atenção da sua nova conquista terá que sair da sua zona de conforto... mesmo que tal signifique ter que aturar o arrogante e infantil capitão da equipa de hóquei... E vai ser tão bom. Ser jogador de hóquei profissional foi tudo o que Garrett Graham sempre quis, mas as notas de final de formatura ameaçam deitar por terra esse sonho, pelo qual tanto tem lutado. 
Se ajudar uma morena, muito gira e cheia de sarcasmo , a fazer ciúmes a outro lhe garantir a posição na equipa, que seja! Mas um inesperado beijo leva-os às cenas de sexo mais incríveis das suas vidas, e não vai levar muito tempo até que Garrett perceba que fingir não será o caminho... Terá, sim, que convencer Hannah de que o homem que ela procura se parece em tudo a Garrett. 

O Amante de Lady Chatterley (D.H.Lawrence)

domingo, 3 de abril de 2016

















D.H. Lawrence, com «O Amante de Lady Chatterley», "por se tratar de um romance que a incompreensão, a «decência» e os «bons costumes» votaram ao ostracismo durante décadas", fez deste um livro memorável. Temo, no entanto, que o seu contexto e toda a polémica em seu torno, não permitam apreciar o que de melhor ele tem: uma abordagem totalmente nova do amor, sem falsas modéstias. Acrescentando ao seu inquestionável valor, o livro de D.H. Lawrence é muito mais do que uma história de amor gráfica e carnal entre Lady Chatterley e Mellors, cujo enredo enfatiza o contexto de 1926 no Reino Unido, a iminência da greve por parte dos mineiros, as peculiaridades de trabalho desta classe, bem como - e de maior realce pelo autor - as nítidas diferenças a que os estatutos sociais têm, obrigatoriamente, de cumprir.
 
Esta é a história de Constance Chatterley, mais conhecida por Connie, e a paixão avassaladora que conhecerá pelo guarda de caça do seu então marido Clifford Chatterley.
 
Aquilo que poderia ser uma história previsível e até enfadonha pelos traços gerais que a caracterizam, deixa de o ser pela forma sublime como o autor coloca em cima da mesa temas, sem toalha que os sustente, tão impertinentes quanto essenciais à felicidade do mais comum mortal.
D.H. Lawrence escreve com coragem, sem limites e vai direto ao ponto que mais dói, persistindo numa reflexão constante sobre a paradoxal simplicidade da vida, das relações, do amor que não se cansa.
 
"E assim é com a maioria das coisas do dia-a-dia... como ganhamos a vida, se amamos ou não a nossa mulher, se temos ou não «casos». Todos estes assuntos dizem somente respeito à própria pessoa e, tal como as idas à casa de banho, não interesse para mais ninguém." (p.48)
 
 
Assaz nas críticas sociais que lança, o autor apresenta-nos um livro verdadeiramente bonito sobre uma relação amorosa. Que o sexo é determinante na obra que tanta polémica originou, pois sim, é verdade que o seja, mas a questão essencial - na minha opinião - é a forma como o autor ordenou os temas para que tudo faça um sentido tão natural com tudo o que (tão bem) diz.
A sua verdadeira crítica reside, precisamente, neste ponto: ridicularizam-se aqueles que não sabem viver e por aqueles que não sabem viver, são aqueles que não se permitem a tal na sua plenitude, longe dos temores, cujo corpo se assume aqui como a porta principal de acesso a uma felicidade conhecida por poucos.
É Mellors quem define este ponto na obra de D.H. Lawrence. Ele representa a natureza, a bravura, a boca solta que diz o que sente e como o sente, a expressão máxima da simplicidade enquanto expoente máximo da vida.
 

"O seu atormentado cérebro de mulher moderna não tinha ainda descanso. Seria real? E ela sabia, se se entregasse ao homem, seria real. Mas se permanecesse fechada em si mesma nada seria. Estava velha, velha de milhões de anos, era o que sentia. E, finalmente, já não conseguia suportar o fardo de si mesma. Precisava de se render ao assalto. De se render ao assalto." (p.146)
 
 
Numa relação proibida e inesperada, Connie aprende a ser mulher, aprende a entregar-se e com essa entrega a ceder estatutos que nada lhe dizem.
 
Recheada de outras personagens importantes, como Clifford a caraterizar o estatuto social máximo, a intolerância às classes baixas e a Sra. Bolton, empregada que viria a dominar os afetos de Clifford, numa ironia improvável, D.H. Lawrence concebe um romance magnificamente bem construído, com uma das mais belas mensagens entre um homem e uma mulher que juntos se auto descobrem, aniquilando qualquer possibilidade nova, agora tão infundada no encontro certo dos dois:
 

"Portanto, agora adoro a castidade, porque é a paz que sobrevém à f..." Agora adoro ser casto. Adoro-a como as campainhas brancas adoram a neve. Adoro esta castidade, que é a pausa da nossa f..., está entre nós como a flor de um fogo muito branco e cindido. E quando chegar a verdadeira Primavera, quando chegar o momento do reencontro, podemos f... a pequena chama brilhante e amarela, brilhante. Mas não agora, ainda não! Agora é o tempo de ser casto, é tão bom ser casto, um rio de água fria na minha alma. Adoro a castidade agora que ela flui entre nós." (p.363)
 
O fim do livro não poderia ser melhor, cheio de esperança.
Amanhã logo se verá.
 
 
 
"A vida é magnífica enquanto nos consome."
D. H. Lawrence
 
 
Um bem haja à Editora Guerra&Paz pela oferta.
CopyRight © | Theme Designed By Hello Manhattan