A Partir de Uma História Verdadeira (Delphine de Vigan)

sábado, 24 de setembro de 2016




Se me desafiassem a escolher uma única palavra possível de definir este livro, talvez optasse por "impressionista". Acredito que esta palavra em específico reúne os grandes pontos da minha opinião sobre ele. Vejamos, há a arte da escrita, as deambulações típicas de uma escritora atormentada e, depois, uma espécie de sombra, umas pinceladas à Monet, que surgem na vida da personagem principal, quase do nada.
 
Essas pinceladas têm por nome L. A mulher enigmática. E toda a história surgirá em torno do peso que esta encerra na nossa personagem principal, Delphine.

Atormentada pelo êxito que a sua primeira obra lhe trouxe, acredita que jamais será capaz de escrever outra que se lhe compare. É nesse estado de ansiedade, incerteza e insegurança que se encontra quando L., aparentemente do nada, se impõe na sua vida, com aquela frescura das pessoas que não se evitam de todo, mas que antes imploramos, discretamente, para que fiquem (e pernoitem!) nas nossas vidas. Foi isso que fez. E L. prontamente ficou. Amizades que se prezam.

Não é minha intenção tecer-vos por aqui toda esta história mas, antes, o cerne de toda a questão: estamos ou não perante uma história verdadeira? E, se sim, de que história estamos mesmo a ter o privilégio de conhecer?

Confesso que, em certas passagens, este livro me aborreceu com um tédio a roçar o limite. A passividade da personagem principal cansou-me, por vezes mas, caro leitor, penso que seja aí precisamente que reside o busílis de toda a coisa, digamos assim. A história é verdadeira, pensei eu. Mas não é verdadeira como possa estar a pensar. Confuso? É mesmo para ser/estar.

Quando iniciar a leitura deste livro prepare-se, à semelhança do impressionismo de que falei inicialmente, para dar largas à imaginação e se deixar impressionar por esta, aquela e outra passagem, pensando "terá sido mesmo assim?" ou, a mais basilar de todas elas: "Terá, de facto, L. existido?".

Depois de muito refletir, este livro deixa-me a clara impressão de ter estado dentro da mente de um escritor no seu momento mais criativo. Posso estar errada, pois claro, mas é essa a impressão do meu quadro. Essa ideia de delírio criativo de um autor que ousou pensar em voz alta, enquanto trabalhava, dando ao leitor, curioso e intrometido, a oportunidade de assistir ao nascimento e criação de algo novo, logo ali, em primeira mão.

A minha questão: não é isto simplesmente espetacular?!

É. Se a minha perceção fugiu completamente à intenção da autora, não interessa. Sei apenas que o livro de Delphine de Vigan me cativou pela peculiaridade, singularidade e pela frequência sombria que emana, do princípio ao fim.

Por isto e muito mais, que caberá a si descobrir, só posso recomendar!
Boas leituras.

2 comentários:

Patrícia disse...

Ah, ando a ser perseguida por este livro. Foi uma das sugestões na última reunião da ROda dos Livros (https://rodadoslivros.wordpress.com/)
Boas leituras

Denise disse...

Adoro livros que perseguem :)
Gostei muito deste livro da Delphine de Vigan. Tem a capacidade de transtornar.
Deixa-te apanhar, Patrícia! :)

Beijinho!

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